Curitiba - Uma escalada à moda antiga, com tempo para apreciar mais o caminho do que a conquista. Com esta filosofia os montanhistas paranaenses Marcelo Santos (Bonga) e Alir Wellner (Mute) e o paulista Maurício Clauzet (Tonto) embarcam no mês que vem para o Nepal, onde pretendem escalar os 6.856 metros do Ama Dablam, no Himalaia.
Ao contrário das expedições comerciais que dominam as escaladas em alta montanha, oferecendo a comodidade de transporte e infraestrutura utilizando a mão de obra dos sherpas - o povo do Himalaia, adaptado ao ar rarefeito -, o trio quer chegar ao topo do Ama Dablam por força própria. ''Tem muitos montanhistas que vão ao Himalaia com tanto apoio que na prática precisam carregar apenas a máquina fotográfica. Nós optamos por subir por nossos meios, até pelo desafio pessoal'', conta Bonga.
A própria escolha do Ama Dablam - nome nepalês que significa ''a deusa do colar turquesa'' - foi resultado do tipo de escalada preferido pelos três amigos. Se a altitude da montanha supera em menos de cem metros o Pico do Aconcágua, ponto culminante da América do Sul, e sua escalada não tem grau de dificuldade tão elevado, é sua formação e beleza que chamam a atenção dos escaladores. Caracterizado por seu formato piramidal de quatro faces quase perfeito, o Ama Dablam oferece várias opções de vias de escalada. A escolhida por Bonga, Mute e Tonto foi a da aresta sudoeste da montanha. ''Optamos pela via mais fácil, que não deixa de representar uma escalada muito técnica e com grande alternância entre trechos de rocha e gelo, que exigem estilos diversos de escalada'', conta Tonto.
Dificuldades
Além desta variação do terreno, as principais dificuldades dos alpinistas será mesmo com a aclimatação ao frio e, especialmente, à altitude. Para evitar as graves consequências do ''mal da montanha'' - que pode variar de uma simples dor de cabeça até edemas pulmonar e cerebral -, o organismo precisa de um longo tempo de adptação. Por isso, o trio programou um período de cerca de 15 dias que será utilizado em caminhadas a dois picos de menor altitude: o Gokio Ri, com 5.483 metros, e o Cho La, com 5.420 metros.
Depois deste período começará a escalada propriamente dita, que pode demorar até 30 dias. Sempre pensando na adaptação do organismo, a ideia é realizar uma subida gradual, a partir dos 4.500 metros de altitude do acampamento base, onde os alpinistas deixarão as reservas de comida e equipamento. A partir deste ponto a intenção é fazer, de forma consecutiva, os quatro trechos de ascensão até o cume, passando pelos três acampamentos intermediários, com 5.600, 5.900 e 6.200 metros de altitude, respectivamente. O tempo necessário para isso depende das condições climáticas e da ambientação de cada montanhista. ''Não gostamos de falar em ataque ao cume, e sim em pedir permissão para subir a montanha. Não consideramos esta escalada um feito e estamos mais interessados na caminhada até lá'', conta Tonto.
A expedição Ama Dablam 2010, patrocinada pela Altiseg, EBS Sistemas, Banco Confidence, Axia Value Chain e Bonier Equipamentos, começará com a chegada ao Nepal, no dia 26 de setembro. Detalhes da escalada podem ser conferidos pelo blog www.amadablam2010.blogspot.com.

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