Uma corrida marcada por equívocos
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segunda-feira, 13 de julho de 1998
Livio Oricchio Agência Estado 
Equívocos de toda natureza marcaram a direção de prova do GP da Inglaterra, domingo em Silverstone. A confusão sobre quem havia vencido a corrida, Michael Schumacher ou Mika Hakkinen, foi causada pelos próprios comissários, segundo a Federação Internacional de Automobilismo (FIA). A equipe McLaren, de Hakkinen, protestou contra a vitória de Schumacher, mas perdeu no primeiro julgamento, ainda no circuito. Agora o protesto foi estendido e um tribunal da FIA o julgará, sem data marcada.
Na 60ª volta da prova, a última, o piloto alemão da Ferrari não cruzou a linha de chegada porque entrou no box. Supostamente para cumprir uma punição de 10 segundos. Ele teria ultrapassado um adversário sob bandeira amarela. Hakkinen, 22 segundos atrás de Schumacher, percorreu o traçado normal e recebeu a bandeirada. Schumacher concluiu o GP, antes de Hakkinen, nos boxes. Mas foi o finlandês, por sua vez, quem recebeu primeiro a bandeira quadriculada, indicando o fim da corrida.
Tudo aconteceu porque os comissários demoraram mais do estabelecido pelo regulamento para informar a Ferrari de que Schumacher deveria cumprir um stop and go de 10 segundos. O artigo 57, alínea a, diz que a direção de prova tem, no máximo, 25 minutos, desde a ocorrência do incidente, para notificar a equipe sobre uma punição. Além disso, a pena deve ser inserida no computador por onde todos acompanham a evolução da prova. Schumacher ultrapassou um retardatário sob bandeira amarela às 15h15. Um minuto mais tarde o Safety Car entrou na pista em razão da intensidade da chuva.
O documento da direção de prova, anunciando a pena de 10 segundos para Schumacher, traz o horário da decisão: 15h39. Sete minutos mais tarde, às 15h46, um comissário entregou a notificação a um representante da Ferrari. Como a largada ocorreu às 14 horas e a bandeirada foi dada às 15h47, a equipe italiana, portanto, recebeu a informação de que Schumacher deveria parar no box, por dez segundos, uma volta antes da corrida acabar. Todos esses horários constam no protesto da McLaren e não foram contestados pelos comissários.
A direção de prova errou ao ultrapassar o limite de 25 minutos para avisar a Ferrari da punição e por não tê-la inserido no computador, para que todos soubessem. A saída da direção do GP foi alegar que a Ferrari tomou ciência da pena a menos de 12 voltas do final e, portanto, os 10 segundos foram acrescentados ao tempo total de corrida de Schumacher, conforme diz o mesmo artigo 57, mas alínea e. Como a vantagem do alemão era de 22 segundos, ele acabou ficando com a vitória, com 12 segundos de sobra.


