No pequeno quadrado de fibras recoberto por lona, de fina espessura, as quedas são amortecidas. Nos rostos, o suor e a alegria de estarem lutando sem maldade pela sobrevivência e por melhores oportunidades, longe, bem longe, dos vícios e prazeres das ruas. É assim que cerca de 300 meninos e meninas carentes de Londrina são introduzidos na vida através da prática do judô.
Pela via aberta pela Lei Municipal de Incentivo ao Esporte, da Fundação de Esportes de Londrina, um grupo de empresas viu uma oportunidade de redirecionar parte dos seus impostos municipais à um projeto que, em pouco mais de 11 meses de funcionamento, já começa a dar seus primeiros resultados. O projeto não poderia ter nome mais sugestivo – ‘‘Projeto do Futuro’’ –, e não abrange somente o judô. Mas é nessa modalidade que tem uma história de glórias em Londrina, que os futuros campeões começam a despontar.
Um dos autores do projeto para o judô foi o judoca Alexandre Segantin, que hoje também acumula a função de professor para 20 meninas na Escola Estadual Maria José Aguillera, no Conjunto Cafezal II (zona sul). Junto com os amigos Murilo Mendes, Marcelo Missaka, Elder Faggion, os outros coordenadores da Associação Londrinense de Judô, eles comandam quatro academias em comunidades carentes em todas as regiões de Londrina.
‘‘O material humano que a periferia tem é excelente. Eles já são atletas, é quase que genética a aptidão para o esporte’’, elogia Segantin. Ele diz que nas comunidades mais pobres, as brincadeiras das crianças normalmente envolvem alguma atividade física e ‘‘eles acabam tendo uma vida esportiva mais ativa’’. E o que lhes falta é suprido pela criatividade e solidariedade inatas do brasileiro. ‘‘Seria interessante, por exemplo, eles terem acompanhamento nutricional e psicológico, coisas que ainda faltam. Mas o básico, nós professores, procuramos passar.’’
Sem a preocupação de buscar resultados à curto prazo, Segantin diz que daqui a menos de 10 anos, Londrina terá novamente a possibilidade de contar com uma equipe de ponta, tanto em nível nacional como internacional. ‘‘Basta apenas que o projeto tenha continuidade’’, antecipa o judoca.
Mas, mesmo pensando no futuro, os resultados do projeto começam a despontar no cenário estadual. No final de abril, a turma do Projeto Futuro fez excelente campanha no Campeonato Paranaense Juvenil e na seletiva estadual para os Jogos Abertos Brasileiro (JABs), em Campo Mourão. A equipe encerrou sua participação com a medalha de ouro na categoria peso pesado para Daiane Jesus Ferreira, que se classificou para o Campeonato Sul Brasileiro de Florianópolis (SC), no próximo dia 17 de maio. O Projeto Futuro também faturou mais duas medalhas: prata com Fabiane Antunes (categoria ligeiro) e bronze com Simoni Gordiano (categoria médio). Outros quatro atletas londrinenses representarão o Paraná no JABs: Leandro Phelippe (Canadá), no super ligeiro; Marília Campos (Arel), no médio; Letícia Kato (Academia Utopia), no meio leve; Edegar Kimura (Academia Utopia), no leve.




HISTÓRIA E CURIOSIDADES
- O judô foi criado pelo mestre Jigoro Kano, em 1882, no Japão, como um aprimoramento das técnicas do ‘‘jiu-jitsu’’. Enquanto ‘‘jitsu’’ significa técnica, o ‘‘do’’ quer dizer caminho (entendido como maneira de viver). Já o ‘‘ju’’ significa o mesmo que a frase ‘‘gentileza é mais importante que obstinação’’.
- No Brasil, o judô chegou no início do século XX, em Porto Alegre (RS), trazido pelos mestres japoneses Koma e Sanshiro Satake. A primeira apresentação oficial do grupo de Koma, entretanto, aconteceu em 20 de dezembro de 1915, em Manaus (AM).
- Como meio de ensino, o esporte adiciona educação física ao treinamento intelectual e à cultura moral. A harmonia desses três aspectos constituem a educação ideal pela qual o judô é ensinado.
- Como teoria, o judô prega a utilização da força do oponente sem agir contra ela, podendo ser aplicada não somente em competições, mas também em aspectos humanos.
Fonte: www.judobrasil.com.br

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