Um sotaque familiar na Copa do Mundo
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terça-feira, 28 de maio de 2002
Lúcio Flávio Moura Reportagem Local 
França x Senegal, sexta-feira, 8h30 (horário de Brasília), Seul Stadium, Coréia do Sul. Quando a bola rolar no jogo inaugural da 17ª Copa do Mundo, Londrina terá o privilégio que apenas outras sete cidades brasileiras conquistaram: ouvir as transmissões de rádios direto do estádio com um sotaque familiar.
Depois de muito esforço e negociação, a Rádio Paiquerê já está na quarta cobertura de Mundial consecutiva com equipe própria no México, em 1986, a emissora fazia parte de um pool de transmissão.
A Paiquerê será a única emissora paranaense e a única do interior do País a estar no Centro de Imprensa em Seul, um gigantesco complexo de 25 mil metros quadrados que abrigará jornalistas dos cinco continentes.
No total, são 12 emissoras de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador e Goiânia o menor número desde 1986. Com o valor dos direitos de transmissão cada vez mais altos, o grupo restrito de emissoras acaba sendo considerado especial pelo mercado publicitário e pela audiência, segundo o proprietário da rádio e componente da chamada Equipe Total, J.B Faria.
Não foi fácil, tivemos que enxugar a equipe e negociar muito com a Rede Globo. Em certo momento, achei que fosse impossível estar na Coréia. Praticamente havia desistido, lembrou.
J.B participa de jornadas internacionais desde 1987, quando o Brasil empatou com a Inglaterra em amistoso no Estádio Wembley e disse que se acostumou a vencer dificuldades e surpreender as grandes emissoras.
Nunca pensei em estar numa Copa do Mundo. Não existia nem o sonho. Simplesmente aconteceu e é uma marca que a emissora faz questão de manter. Com a expectativa de vender oito cotas de publicidade, o empresário teve que se contentar com sete patrocinadores, suficientes, entretanto, para cobrir o custo de R$ 320 mil da aventura.
As rádios brasileiras que estarão na Copa dividiram uma conta de US$ 3 milhões, que parecia impagável num primeiro momento, segundo J.B.. O valor é referente aos direitos de transmissão cobrados pela Rede Globo, detentora dos direitos para transmissão no Brasil, que assustou potências como a Jovem Pan, de São Paulo, e a Tupi, do Rio de Janeiro.
Depois de algumas rodadas de negociação, uma fórmula criativa permitiu que os dois lados saíssem satisfeitos. Um terço foi pago em dinheiro e os outros dois terços foram bancados por espaços para publicidade cedidos à Rede Globo.
A equipe enxuta que já está trabalhando na Ásia inclui, além de J.B., os locutores J. Mateus e José Manuel, e o repórter Ademir Lobo, o primeiro a chegar em Seul. Na França, a equipe foi com sete pessoas e tivemos a mesma despesa. É uma Copa especialmente cara, mas de um retorno muito maior que as outras, garante.
Audiência - Com base em pesquisas, a direção da Paiquerê estima que sua audiência aumente em 50% durante as transmissões da Ásia. Normalmente, no mesmo horário dos jogos da Copa, o índice é de 50%. A expectativa é que o índice alcance 75% ou cerca de 136 mil ouvintes somente na região de Londrina.
Para J.B., as transmissões das Copas tornaram a Paiquerê um veículo conhecido nacionalmente e respeitado por ter peculiaridades em relação às grandes emissoras. Qual dessas rádios tem o dono no microfone? É pela nossa simplicidade e competência que somos reconhecidos como uma rádio importante na esfera esportiva, vangloria-se.


