Ed Carlos Rocha
De Curitiba
Quem tinha tudo para ser herói, passou despercebido. Quem estava próximo de ser bandido, num piscar de olhos virou herói. A situação, mais ou menos nessas palavras, foi descrita ontem por dois personagens de destaque do último Atletiba, vencido pelo Atlético por 3 a 2, no domingo à tarde, na Arena da Baixada.
Na reapresentação do Atlético, numa academia de hidroginástica, euforia do atacante Lucas, que perdeu um pênalti quando a partida ainda estava 0 a 0, mas fez o gol da vitória aos 45 minutos do segundo tempo. Foi o seu primeiro gol contra o maior rival do Rubro-Negro.
Na reapresentação do Coritiba, a tristeza estampada no rosto do goleiro Gilberto. Ele pegou o primeiro pênalti vestindo a camisa do Coritiba e um dos poucos na sua carreira, mas, com a derrota, o fato não teve nenhuma repercussão.
‘‘Futebol é assim mesmo. Não virei bandido porque tive a confiança o tempo todo de que iria fazer o gol da vitória. E tudo isso aconteceu porque o nosso grupo tem qualidade e é unido. Todos me deram força depois que perdi a penalidade’’, diz Lucas.
‘‘Futebol tem dessas coisas. Defendi um pênalti num dos maiores clássicos do futebol brasileiro, mas ninguém falou nada. Se não tivéssemos perdido, teria saído do jogo como um herói’’, lamenta Gilberto.
Lucas disse que foi o terceiro pênalti que perdeu em sua carreira de uns 11, segundo ele, batidos. O jogador afirmou que vai continuar cobrando as penalidades porque tem confiança. ‘‘Não bati muito bem, mas o que importa é que tenho personalidade para cobrar de novo.’’
No Rubro-Negro, o que aconteceu com Lucas é a explicação para o sucesso do time. ‘‘Todos estão muito confiantes na qualidade do grupo e a cada jogo a gente passa a se desdobrar e ajudar uns aos outros dentro de campo para que a união fique maior e seja aliada nas vitórias’’, disse o meia Adriano.
No Coritiba, a explicação para a derrota ficou por conta dos ‘‘detalhes’’.
‘‘Não dá para discutir que jogamos melhor do que o Atlético. Só que tivemos algumas falhas por desatenção e esse foi o detalhe que determinou a derrota’’, disse o meia Leandro Tavares, que fez o gol de número 900 no Atletiba.
As duas equipes voltam hoje aos treinamentos para os jogos de amanhã pelo Paranaense. O Coritiba joga no Couto Pereira contra o Prudentópolis, às 20h30. O meia João Santos, recuperado de contusão, mas ainda sem preparo físico ideal, deverá ficar mais uma vez de fora.
No Atlético, o técnico Oswaldo Alvarez decidiu utilizar o time A, ou seja, o que venceu o Coritiba e o que vem liderando o Grupo 1 da Libertadores. O time B, que vinha jogando no Paranaense, deverá ser escalado contra o Malutrom, no sábado. A partida contra o Prudentópolis, marcada para sexta-feira, foi adiada e ainda não tem data definida.. O time A joga amanhã para descansar mais tempo para enfrentar o Emelec, na próxima terça-feira, no Equador, pela Libertadores.Eis o saldo do Atletiba: Gilberto lamenta que defesa de pênalti não valeu nada; Lucas festeja gol que o livrou de um vexame
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