Marcos Freitas
De Londrina
O Torneio Pré-Olímpico de Futebol atraiu alguns dos maiores empresários do futebol mundial para Cascavel e Londrina. A importância do evento fez com que clubes europeus mandassem para o Brasil seus diretores esportivos a fim de realizarem lucrativos negócios. E como a categoria sub-23 é o maior filão que o ‘‘mercado importador’’ procura, pode-se dizer que transações milionárias já estão acontecendo, mesmo que nos bastidores.
O ‘QG’ destes representantes de clubes e empresários é um hotel de luxo em Londrina. Pelo menos 15 pessoas que representam os maiores times europeus, como Lens e Paris Saint Germain da França, Borussia Dortmund e Bayer Leverkusen da Alemanha, Anderlecht da Bélgica, Inter de Milão, Venezia, Juventus de Turim, Roma, Udinese, Bologna e Vicenza da Itália estão ou estiveram na cidade. Sem contar treinadores, olheiros, empresários, procuradores – enfim, todos de olho naqueles que movimentam o ‘‘circo do futebol’’: os craques da bola.
A missão de descobrir nestes garotos grandes craques do futuro não é fácil, mas certamente é muito rentável. E não é à toa que os clubes investem tanto nestes ‘‘detetives’’. Afinal, comprar um jogador desconhecido por verdadeira ninharia e transformá-lo num grande astro do futebol mundial é a especialidade deles. O negócio gera milhões de dólares para empresários, agentes, clubes e até para os jogadores.
Hoje os grandes clubes contam com representantes em quase todos os países do mundo. São agentes que intermediam contratações, viabilizam a estada dos representantes de clubes, compram, vendem, enfim, são os grandes responsáveis por transações milionárias e transformações de meros desconhecidos em celebridades (leia texto sobre o trabalho dos empresários e agentes de futebol nesta página).
Um dos representantes de clube europeu que está em Londrina é o italiano Sergio Vignoni, 41 anos, diretor esportivo do Venezia e que foi o responsável pela contratação do zagueiro Fábio Bilica. Na Itália, quem exerce a função de diretor esportivo é o responsável pela contratação dos jogadores. O presidente e o técnico do clube apenas opinam sobre o nome dos escolhidos. ‘‘A cobrança é bem maior, pois nossa função é específica no clube e recebemos bons salários para fazer isso’’, justifica Vignoni.
O trabalho de Vignoni não se resume a assistir aos jogos do Torneio Pré-Olímpico em Cascavel e Londrina. Como os torneios regionais já começaram pelo País e a Copa São Paulo terminou nesta semana, as viagens para as principais capitais onde acontecem estas partidas também estão sendo analisadas.
É verdade que quando um destes representantes chega até um local não é apenas para assistir à atuação dos jogadores. Antes de desembarcar no destino previamente definido, ele já recebeu todo tipo de informação sobre o atleta. São fitas com jogos seguidos (para conhecer a regularidade do jogador), ‘‘scauts’’, entrevistas, perfis – enfim, um verdadeiro ‘‘raio X’’ sobre o ‘‘alvo’’ e que contém informações até sobre o caráter e a personalidade do jogador. ‘‘Quando se aposta em um nome ainda desconhecido é preciso saber tudo; o aspecto social é um dos mais importantes, pois a adaptação deste atleta em um outro mundo é uma das etapas mais difíceis de ser analisada’’, justifica Vignoni.
Segundo ele, o Torneio Pré-Olímpico é, no momento, a maior vitrine do mercado mundial. E Vignoni não esconde que se o ‘‘circo do futebol’’ virou um mercado rentável, realmente ele veio às compras. Nomes ele não revela e se esquiva dizendo se apegar a um valor ético que o mercado futebolístico exige: ‘‘Os atletas estão concentrados em busca de um objetivo, que é representar dignamente o seu país em uma competição internacional’’, diz. ‘‘Veicular nomes acaba denegrindo a imagem do atleta e prejudicando seu futuro’’, conta.
Fazendo uma análise do Pré-Olímpico, Vignoni diz que o equilíbrio faz parte desta categoria. Ele conta que se impressionou com o Chile mas ainda elege as seleções do Brasil, Argentina e Uruguai como as mehores da América Latina. O crescimento do futebol do Equador, Peru e Paraguai também ganha destaque numa rápida análise. ‘‘Neste torneio ninguém ganha fácil de ninguém, com raras exceções’’, prevê. ‘‘O equilíbrio mostra a evolução em certos centros onde jamais imaginaríamos acontecer tão cedo’’, diz.
A opinião encontra respaldo do alemão Safting Preunnard, que veio acompanhar os jogos do Pré-Olímpico representando o Borússia Dortmund. Porém, ele é mais severo na análise das seleções que estão disputando a competição. ‘‘O Brasil e a Argentina pioraram muito, enquanto os outros melhoraram um pouco’’, avalia. E as críticas não param por aí. Safting se diz indignado com a falta de vontade que os jogadores brasileiros vêm demonstrando neste torneio. ‘‘A Seleção Brasileira sempre joga mal quando acha que o seu adversário não é um bom time’’, diz. ‘‘Todos os jogos do Brasil deveriam começar em 2 a 0 para o adversário e aí sim veríamos o verdadeiro futebol brasileiro.’’
Mas ambos deixam escapar alguns nomes que os encantaram durante a disputa, até agora: o meia Alex foi um dos mais elogiados; o chileno Tapia também recebeu grande apreço por eles; os atacantes colombianos também são elogiados. Eles contam ainda que se surpreenderam com alguns nomes do Equador. No grupo de Cascavel, os mais valorizados ainda são os jogadores argentinos e uruguaios.Pré-Olímpico é maior vitrine do mercado mundial de craques
Arquivo FolhaArquivo FolhaArquivo FolhaLUCRO CERTOAlex, do Brasil, é um dos mais elogiados pelos ‘descobridores de craques’; o chileno Tapia também é alvo das atenções, assim como Kaviedes, do Equador, uma revelação