Um mês de trabalho, um mês sem salário
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terça-feira, 30 de abril de 2013
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Seriamente ameaçado de não entrar em quadra em 2013, o time de handebol masculino de Londrina completa hoje um mês de trabalho. Por conta da falta de patrocinadores, o panorama é bem diferente de anos anteriores quando a equipe possuía um bom orçamento e elenco forte, capaz de brigar por títulos. O grupo de jogadores agora é formado basicamente por jovens oriundos das categorias de base e a ordem é adaptar-se à nova realidade.
Ainda sem um patrocinador definido e com o atraso para a liberação da verba do Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos (Feipe), os jogadores não vão receber salários após o primeiro mês de treinos. Um obstáculo capaz de desmotivar qualquer atleta, certo? Não para quem sonha há tanto tempo com a primeira oportunidade no time adulto.
"A equipe vive um momento difícil, mas é um recomeço. E para a gente que está começando, mesmo sem receber é uma grande oportunidade. Só de estar aqui, já é uma grande oportunidade e quero aproveitar da melhor forma possível", afirmou o ponta direita Kaio Vinícius, 17, uma das crias do projeto de formação da equipe, instalado no Colégio Estadual Olympia Morais Tormenta, na Zona Norte de Londrina.
"Só de ter uma oportunidade dessa de treinar com um time adulto e jogar uma Liga Nacional, já está bom. Nem me preocupo com dinheiro agora, quero pegar firme nos treinos e me firmar como jogador", repetiu o armador esquerdo Gustavo Salvador, também de 17 anos.
Se ainda não tem salários, por outro lado a maioria dos jogadores conta com bolsas de estudo para iniciar o terceiro grau na Unopar, que cortou os patrocínios em espécie no final do ano passado, mas segue parceira do time fornecendo as bolsas de estudo aos atletas. Kaio e Gustavo já começaram. O primeiro estuda Psicologia, e o segundo, Fisioterapia. Ambos estão no primeiro ano.
Para os mais experientes, o jeito foi buscar alternativas para não correr o risco de ficar sem pagamento. O armador central Bruninho, por exemplo, voltou aos treinos só ontem, depois de ter a certeza de que poderia conciliá-los com a profissão de farmacêutico. "A minha prioridade neste momento é outra, mas não deu para ficar longe do handebol", diz o jogador. Outra referência da equipe, o ponta Rodolfo 'Cyborg' também concilia as aulas de educação física com os treinos.
No que depender do técnico Giancarlos Ramirez, a seca tem data para acabar. O treinador, que também tem se dedicado à busca de patrocinadores, espera anunciar novidades até o final desta semana. "Tem um patrocinador entre R$ 50 e 100 mil e mais dois parceiros bem próximos", adiantou o técnico, que também já conta com o dinheiro do Feipe para fazer o primeiro pagamento em junho. "Está ficando bom. A cada dia estamos evoluindo, os meninos estão focados e se continuar assim, vamos dar trabalho", emendou o empolgado treinador. A Liga Nacional começa em julho.


