O talento brasileiro está espalhado pelos gramados de todo o mundo. Só a região de Londrina já exportou dezenas de atletas para diferentes países. Fora os destinos mais comuns, como Europa e Japão, há jogadores de Londrina hoje na Bósnia, Turquia e Coréia do Sul, só para citar alguns países.
A Croácia, primeiro adversário do Brasil na Copa, também importa desde 1998 atletas formados em Londrina. Um ex-jogador do Tubarão, o volante Alexandre, foi o primeiro da região a pisar no país que resultou da separação da Iugoslávia em sete nações Bósnia, Sérvia, Montenegro, Croácia, Eslovênia, Macedônia e Albânia.
Depois de estar há três meses na Croácia, Alexandre chamou mais quatro atletas para jogarem por sua equipe, o HNK Novalja, da Segunda Divisão, time sediado na Ilha de Pag. Ele pediu indicações a seu irmão Carlos Sérgio, ex-jogador do LEC e na época técnico do Nichika.
Daí foram para lá, em 1998, o volante Jean, o meia Serginho, o atacante Clênio (que jogou Paranaense 2006 pelo Rio Branco) e o meia Neto, alguns formados no PSTC e outros no Nichika. Os três últimos ficaram apenas um ano e Jean, hoje com 32 anos, é o único que ainda permanece na Croácia.
Neto, agora com 26 anos, teve duas passagens pelo país do Leste Europeu, uma delas recente, até abril deste ano, quando defendeu o Dragovoljac, de Zagreb, a capital croata. O time disputa o campeonato da Segunda Divisão, que tem 32 clubes.
A história do jogador é um verdadeiro périplo, sempre com passagens por times de pequeno e médio portes. Após deixar o Novalja, da Croácia, Neto retornou à dura realidade do futebol brasileiro, passando por Alagoinhas-BA, Camaçari-BA, Iraty, Portuguesa Londrinense e São Bento de Sorocaba. ''Era legal lá (na Croácia), mas na época, em 1998, pagavam salários baixos, na faixa de 1.300 a 1.500 dólares, porque a Croácia recém havia saído da guerra (que separou o País) e estava quebrada. Daí decidi retornar ao Brasil, mas penei muito até arrumar alguma coisa boa'', conta.
A coisa ''boa'' a que se refere foram dois contratos com clubes da Segunda Divisão mexicana, por meio de indicação de dirigentes do Iraty. Ficou dois anos defendendo o Brujos, de San Francisco de Rincón, e mais dois anos no Salamanca. ''Na época consegui arrumar um bom dinheiro e comprei duas casas para a minha família em Londrina'', relembra.
Após sair do México, Neto passou ainda pelo San Felipe, do Chile (oito meses) e ao retornar ao Brasil, em agosto do ano passado, recebeu convite para retornar ao Novalja, da Croácia. ''Fiquei um mês no clube, mas como me enrolaram para começar a pagar o salário, deixei o time e assinei com o outro clube, o Dragovoljac, onde fiquei até abril'', relata Neto.
O jogador não ficou até o fim do contrato porque sua noiva perdeu um bebê, no Brasil, e ele estava doente na Croácia. ''Com aquele frio de 5 a 10 graus negativos ninguém consegue sarar'', diz o jogador, emendando que o que compensava era o salário de 2,5 mil euros mensais.
Sobre o futebol croata, Neto comentou que ''é muita correria e força'', mas que há jogadores habilidosos, principalmente na Primeira Divisão. ''Os dois times que têm jogadores na seleção da Croácia, o Dínamo de Zagreb e o Hajduk, da cidade de Split, têm muitos craques e um deles é o brasileiro Eduardo Silva, que deu azar ao não ser convocado para a Copa'', comentou.

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