Um golpe na adversidade
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sábado, 04 de maio de 2013
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
São apenas três anos e três etapas do Campeonato Brasileiro disputadas, mas suficientes para fazer Adenilson Oliveira Vicente, judoca da equipe Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (Ilitc)/FEL, sonhar com uma vaga nos Jogos Paraolímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.
O atleta, que mora em Jandaia do Sul (Norte) mas treina e representa a equipe de Londrina, é mais um personagem de superação através do esporte. Depois de um acidente automobilístico em 1998, no qual perdeu a visão nos dois olhos, a vida dele mudou bastante. E foi no esporte que ele encontrou forças para se recuperar.
A história esportiva de Vicente teve início em 2002, no goalball, modalidade esportiva coletiva desenvolvida para pessoas com deficiência visual. Em três anos, ele já estava defendendo a seleção brasileira no Campeonato Pan-Americano. Dois anos mais tarde, fez parte do time que ficou em quarto no Mundial, realizado em São Paulo.
Vicente ainda pratica o goalball, mas ele mesmo frisa que sua prioridade é outra, o judô. "Ainda pratico as três, mas estou me dedicando mais ao judô. Até por conta da idade, pois como o goalball é um esporte coletivo a seleção está dando preferência aos atletas mais jovens. E no judô dependo só de mim para conquistar meus objetivos", comenta o atleta, que também pratica atletismo.
Dedicado, ele treina judô todos os dias numa academia em sua cidade natal e às sextas-feiras vem a Londrina, onde realiza trabalhos especiais com seu treinador, Márcio Rafael da Silva, ex-judoca que comanda a prática da atividade no Ilitc, em Londrina.
"Ralação" intensa, mas que tem sido o segredo do sucesso rápido do atleta também nos tatames. Já são três medalhas garantidas em três etapas do Grand Prix Infraero de Judô para Deficientes Visuais, a principal competição da modalidade no Brasil, organizada pela Confederação Brasileira de Desporto para Deficientes Visuais (CBDV). No ano passado, em sua primeira participação, ele venceu fácil a categoria para estreantes. "Depois desse resultado, conversei com meu técnico e a gente resolveu competir no alto rendimento", contou o atleta, contemplado do programa Bolsa Atleta, do Governo Federal.
E a comprovação de que a troca foi acertada não demorou a aparecer. Na segunda etapa do Grand Prix 2012, ele conseguiu o bronze. E logo na etapa de abertura do torneio deste ano, realizada semana passada, em São Paulo, o judoca subiu mais um degrau no pódio e trouxe a medalha de prata na categoria meio-pesado (-100 kg). "Por muito pouco não veio o ouro. Ele acabou perdendo no último segundo da luta", relembra o técnico Márcio Rafael da Silva.
O resultado conquistado na mesma categoria de Antônio Tenório, tetracampeão paraolímpico, serve de motivação extra na busca por uma vaga nos Jogos do Rio, daqui a três anos. "Foi muito importante. O objetivo é buscar, etapa a etapa, e chegar ao título", definiu. "Meu trabalho agora é galgar níveis, pois tenho até 2016, e se tudo der certo conseguir disputar as Paraolimpíadas aqui no Brasil".
E não é só Adenilson Vicente que tem se destacado na equipe de Londrina. Meg Vitorino, que treina há apenas um ano, repete o sucesso repentino do colega e já estreou no Grand Prix com uma medalha de ouro na categoria pesado (+78 kg). "Por ser o primeiro ano dela, foi um resultado surpreendente, que mostra que ela também tem potencial para buscar uma vaga nas Paraolimpíadas. São dois atletas que têm essa ambição e esses resultados só os faz terem mais motivação para trabalharem cada vez mais firme para buscar seus objetivos", frisou o técnico Márcio Rafael.
Com os resultados, o time do Ilitc levou o troféu de 4° colocado geral, superando equipes tradicionais, entre elas algumas internacionais, na competição. A segunda etapa está prevista para acontecer em novembro, em Natal (RN).


