Um estádio ecologicamente correto
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quinta-feira, 05 de julho de 2007
Giuliano Villa Nova<br> Agência Estado 
São Paulo - Futebol e ecologia nunca caminharam lado a lado. A construção de modernos estádios é uma das maiores provas disso: além de gastar milhões, os dirigentes não se preocupam com a agressão à natureza provocada pelas edificações. Em Curitiba, o J.Malucelli resolveu adequar simplicidade e consciência ecológica na construção do Estádio Janguito Malucelli, chamado de Eco-estádio, concebido para causar o menor impacto ambiental possível.
''Tudo é ecologicamente correto: a arquibancada é escavada na terra, a madeira veio de área de reflorestamento e o ferro, de dormentes de ferrovia desativada'', resume Joel Malucelli, presidente do Grupo J.Malucelli e responsável pela obra. ''Estamos numa região muito arborizada e não poderíamos destoar dela.''
De fato, a nova casa do Jotinha, como é conhecido o quarto clube profissional de Curitiba, fica ao lado de um dos principais cartões postais da cidade, o Parque Barigui. Mas as quase 50 mil pessoas que o visitam aos domingos praticamente não percebem que ali há um estádio de futebol, pois a idéia é manter a harmonia com os quase dois milhões de metros quadrados de área verde da região.
''Há um ano, esse lugar era apenas nosso centro de treinamentos, com um enorme barranco'', explica Joel. ''Quando fizemos o orçamento para as arquibancadas de cimento, percebemos que poderíamos optar por uma solução mais barata e ecológica.''
Para acomodar seis mil torcedores sentados na arquibancada de grama - com a colocação de assentos plásticos -, o J.Malucelli gastou R$ 260 mil. Se utilizasse o concreto armado, desembolsaria R$ 800 mil - esse foi o custo total do projeto, que inclui bilheterias, estacionamento, instalações para a imprensa, loja, bares, banheiros e vestiários. ''Talvez seja o estádio mais barato que já se construiu no Brasil'', arrisca Joel.
Detalhes - A bandeira do J.Malucelli é azul e branca, mas o verde é a cor que predomina no Eco-estádio, dos portões de entrada aos jardins internos. ''Sou perfeccionista, tenho capricho com tudo o que faço'', diz Joel. ''Para isso, não é preciso gastar muito, basta ter bom gosto.''
Rústicos, mas funcionais, alguns detalhes do local chamam a atenção, como o placar e os bancos dos reservas, feitos inteiramente de madeira, assim como as escadas de acesso para as arquibancadas e corrimões. O cimento foi utilizado só nas partes em que era estritamente essencial, como nas calçadas para circulação da torcida e nos vestiários.
Mesmo assim, a alvenaria quase não é vista, já que tais instalações ficam abaixo do nível do gramado. ''Até o fim do ano, vamos instalar os postes de iluminação. Mas a cobertura da arquibancada só será feita se não destoar do projeto original'', conta Joel.
A grama das arquibancadas não incomoda, já que os assentos foram instalados de modo que a perna dos torcedores não raspa na vegetação. E não haverá grandes problemas por causa da chuva, pois há a promessa de que a grama será cuidadosamente aparada. ''Outra vantagem é a de ter um piso sempre bonito, ao contrário do cimento, que escurece com o tempo'', revela Joel.
Visual - Em razão de sua localização, o Eco-estádio também traz comodidade ao torcedor. Próximo do centro de Curitiba, tem amplas áreas de estacionamento, inclusive a do Parque Barigui. ''Será uma alternativa de lazer: a família vem para o parque, o marido deixa mulher e filhos passeando e vem assistir ao jogo'', descreve Juarez Malucelli, presidente do clube, que já marcou a data para a abertura oficial: neste domingo, contra o Cianorte, pela Copa Paraná - torneio que dá vagas para a Série C do Brasileiro de 2008 e a Copa do Brasil de 2009.
E a torcida pode ficar tranquila: se o futebol do time não agradar, ainda há consolo. Basta admirar a beleza do lago de 230 mil metros quadrados do parque e sua gigantesca área verde. Prova de que futebol e ecologia podem conviver pacificamente.


