Um dia de decepções para Ricardo Zonta
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sábado, 10 de abril de 1999
Por Julio Cruz Neto 
São Paulo, 11 (AE) - Além de não poder participar do GP Brasil
Ricardo Zonta só teve decepções em seu quarto no hospital Duprat, onde assistiu à prova. Primeiro, foi o abandono de Rubens Barrichello, na 43a volta: "Uma pena que o motor não tenha deixado o Rubinho terminar pois ele ia pegar pódio." Pouco depois, na mesma volta, foi a vez de Pedro Paulo Diniz. E na 50a, Zonta viu Jacques Villeneuve, seu companheiro de BAR e único representante da equipe na corrida, parar com um problema hidráulico: "Aí perdeu a graça de vez."
Zonta saiu da UTI hoje de manhã e foi submetido, durante o dia, a uma terapia de antibióticos, na companhia de seus pais. Contente por não ter tido febre, o piloto disse que, segundo os médicos, isso é um sinal de que não há infecção. E com isso, a recuperação da cirurgia tende a ser mais rápida. Dentro de dez dias, quando o gesso do pé esquerdo for trocado e os pontos tirados, será possível ter uma previsão melhor do tempo de recuperação, estimado a princípio em 40 a 45 dias.
O piloto voltou a dizer, sobre o acidente de sábado que o tirou da corrida, num ponto em que a pilotagem não é complicada, que houve falha mecânica: "Tenho certeza que o problema foi do carro, que não foi erro meu."
Por outro lado, Greg Field, chefe de equipe da BAR, continua afirmando que não foi detectado qualquer defeito mecânico no carro.
Craig Pollock, o dono da escuderia, chegou a sugerir que a ondulação da pista pode ter provocado a colisão: "Parece que o carro não reagiu bem e isso pode ser uma das causas do acidente." Zonta discorda: "Eu ia parar para trocar pneus e não estava tão rápido para que uma ondulação provocasse a batida."
O canadense Jacques Villeneuve, companheiro de Zonta, também teve um fim de semana complicado. Na sexta-feira, um vazamento de gasolina o tirou dos treinos livres. No sábado, foi detectado combustível ilegal em seu carro e a FIA, como punição, obrigou-o a largar em último, ao invés da 16a posição conquistada na sessão classificatória. E na corrida, Villeneuve abandonou na 50a volta, com pane hidráulica, quando estava na setima colocação. Ficou assim adiada para Ímola a expectativa da equipe BAR de completar sua primeira prova na Fórmula 1.
O canadense lamentou e mostrou otimismo para o futuro: "É uma pena, porque o carro estava muito rápido. Mas provamos que podemos andar rápido." O problema do combustível ilegal deixou a BAR intrigada. A inspeção da FIA detectou que a gasolina do tanque do carro de Villeneuve não correspondia à amostra apresentada no início da temporada. Não estava mais nem menos eficiente, apenas diferente. Greg Field, o chefe de equipe, isentou a ELF (fornecedora da BAR) de culpa e suspeita que a gasolina tenha sido contaminada dentro do próprio tanque do carro de Villeneuve. O tanque, segundo ele, era novo e pode ter liberado alguma substância (cola, resina etc.) que alterou a especificação do combustível. Craig Pollock resumiu bem o que foi o GP Brasil para a sua equipe: "Foi um fim de semana muito, muito ruim."


