Um clube de olho na internacionalização
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de dezembro de 1999
Por Arnaldo Ribeiro e Wilson Baldini Jr. 
São Paulo, 11 (AE) - O Corinthians chega ao fim dos anos 90 convicto de que deixou de ter a imagem de "regional. O time chega a sua quarta final de Brasileiro na década com a possibilidade de ganhar o terceiro título nacional, algo inédito até a conquista de 1990 diante do São Paulo. A partir do ano 2000, porém, o clube e a Hicks Muse, a parceira comercial, querem ganhar o mundo. O Alvinegro vai-se internacionalizar.
O clube vai, enfim, dar prioridade aos torneios internacionais
principalmente no primeiro semestre. "Não vamos de forma alguma abandonar o Campeonato Paulista, que tem muita tradição, mas é inegável que o Mundial de Clubes e a Libertadores passam a ter muita importância para nós, afirma o supervisor Wilson Santoro.
Segundo ele, quanto mais o Corinthians expandir suas fronteiras, melhor para a Hicks Muse. "O objetivo da empresa é conseguir cada vez mais negócios com a marca Corinthians; e você só consegue melhores patrocínios, cotas de televisão e outros bons contratos se o time tiver visibilidade, analisa.
Santoro compara a trajetória que o Corinthians pretende seguir com a percorrida pela co-gestão Palmeiras-Parmalat. Depois que a empresa se associou ao Alviverde, o time encerrou o jejum de títulos, conquistou um bicampeonato brasileiro e, enfim, a Libertadores deste ano. "Até o número de torcedores aumentou, diz.
O presidente Alberto Dualib já vai passar para a história do clube como o administrador mais vencedor do século, mas ele quer mais. É outro que faz questão da internacionalização. "No ano 2000, não vamos deixar nada para ninguém; queremos vencer tudo
avisa ele, que, por meio de uma alteração estatutária, poderá candidatar-se à reeleição no ano que vem.
Para que atinja os seus objetivos, é fundamental que o Corinthians tenha dinheiro para financiá-los. O diretor de Esportes, José Roberto Guimarães, está discutindo com os dirigentes da Hicks Muse o orçamento para o ano que vem, estimado já em R$ 70 milhões. Grande parte do dinheiro será investida em contratações. Outra, no Departamento Amador.
A diretoria já está agindo há tempos para reforçar o time, mas procura manter sigilo, para não desestabilizar o grupo atual, que disputa a decisão do título brasileiro. "Temos de contratar
como qualquer grupo em fim de temporada, e estamos contratando; o futebol é cíclico e temos competições importantes a disputar
afirma o técnico Oswaldo de Oliveira.
Marcelinho contratado - Os nomes estão surgindo. O zagueiro Adílson já está praticamente contratado. O lateral André Luís e o atacante Muller, ambos do Cruzeiro, também estão nos planos.
Dualib fechou durante a semana, enfim, a compra do passe do meia Marcelinho com a Federação Paulista de Futebol por cerca de R$ 6 milhões. "Está tudo apalavrado, diz o diretor de Futebol
Carlos Nujud. O clube vai lutar pela permanência de Vampeta, que tem propostas do exterior.
"Vamos promover também jogadores dos juniores, porque, só no primeiro semestre, teremos de cinco a seis competições para disputar, afirma Nujud. Paralelamente, a Hicks Muse planeja o início da construção de um estádio múltiuso para o clube no ano 2000.


