Um brasileiro com alma japonesa
O presidente da Associação Londrinense de Sumô (ALS) e fundador da Associação Kaiko, Cassiano Joaquim Gomes, 47 anos, não tem nada de japonês, mas vive das artes marciais nipônicas desde os quatro anos de idade. Ele tem mesmo é sangue mestiço, bem brasileiro, e sua esposa tem descendência negra.
Mas como é que essa influência japonesa foi cruzar o seu caminho? Ele explica que seus pais trabalhavam em um sítio de imigrantes japoneses, em Cambé, na década de 60. Gomes ainda era pequeno quando seu pai faleceu e quando sua mãe perdeu o contato com a família no Paraná.
''Como os patrões do meu pai era muito bons, eles acabaram me adotando e fui criado pela 'batyan' (avó). Eles decidiram voltar para o Japão e, com apenas quatro anos, acabei indo para lá e fiquei no Japão durante 31 anos. Me adaptei à cultura japonesa e fui criado com os outros netos da batyan'', conta. Por tradição da família, Gomes praticava todas as artes marciais japonesas, inclusive as manuais, como ikebana, origami e poda de bonsai (as conhecidas árvores em miniatura).
Entre as artes marciais, o londrinense se dedicou muitos anos ao estudo e à prática do sumô, a luta mais popular do Japão. ''Sumô lá é como futebol aqui. Tudo mundo pratica e quase tudo mundo assiste. No Japão, não tem escola, comunidade, clube ou fábrica que não tenha um dohiô (a arena de sumô). As crianças começam bem pequenas a praticá-lo e seguem treinando na escola'', comenta Gomes.
Apesar de ser conhecedor da arte, Gomes não pôde lutar sumô nos campeonatos profissionais japoneses (são cinco eventos por ano) porque lá, até dez anos atrás, era proibido um ''gaijin'' (estrangeiro) competir com os japoneses natos. ''Só agora é que o Japão se abriu aos estrangeiros. E hoje eles vêm dominando os campeonatos. Tanto que nos últimos quatro anos um havaiano reinou absoluto lá no Japão. E o atual campeão é um mongol'', revela Gomes.
Marcado pela tradição milenar, o sumô ainda hoje garante privilégios aos lutadores profissionais. Cerca de 500 atletas fazem parte do circuito principal, todos mantidos por suas academias. Somente os 200 melhores do ranking têm direito a contar com patrocínio. ''O sumotori luta até os 40 anos e depois disso se aposenta obrigatoriamente, quando passa então a receber uma verba do Estado por ser ex-lutador'', explica. (J.K.)





