Um Brasileirão com sotaque paulista
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quinta-feira, 09 de setembro de 2004
Agência Estado 
São Paulo - O Campeonato Brasileiro já teve disputadas 29 das 46 rodadas programadas e o domínio do futebol paulista continua expressivo. Dos dez primeiros colocados na competição, seis clubes são representantes do Estado. O líder, há algumas rodadas, é o Santos, que sucedeu na ponta outro paulista, o Palmeiras. E apesar de alguns ''intrusos'' estarem neste momento na festa o paranaense Atlético, com os mesmos 52 pontos do Santos e uma vitória a menos, está em segundo lugar; e o goiano Goiás e o gaúcho Juventude, ambos com 49, vêm em terceiro e quarto , a chance de o título brasileiro de 2004 ficar com algum paulista é de 60%, de acordo com cálculos do matemático Tristão Garcia. E as possibilidades de clubes do Estado chegarem à Libertadores também são animadoras.
O Santos, por exemplo, tem, hoje, 30% de chances de repetir o título nacional de 2002, segundo o matemático, que leva em consideração aspectos como os adversários que uma equipe terá pela frente, o local das partidas e o retrospecto, entre outros, para fazer seus cálculos. E quando o assunto é a competição sul-americana, que disputaria pela terceira vez seguida, o time da Vila Belmiro tem 63% de possibilidade de ficar com uma das três vagas diretas que o Brasileiro garante no torneio.
Com 48 pontos, São Paulo e Palmeiras contam com 8% de chances de título e 28% de disputarem a Libertadores, segundo Tristão. Mesmo o Corinthians, time que muita gente não apostaria um centavo sequer há pouco mais de um mês, pode, com os 47 pontos que possui atualmente, sonhar. A equipe de Parque São Jorge tem apenas 3% de chances de ser campeã, índice que sobe para 16% quando o alvo passa ser a Libertadores.
A Ponte Preta, com 46 pontos antes da partida de ontem com o Coritiba , tem possibilidades um pouco maiores que o Corinthians de chegar ao título (7%) e ao torneio continental (23%). Até mesmo o São Caetano, 4% e 17%, respectivamente, está no páreo.
O contraste do futebol paulista neste Brasileiro é representado pelo Guarani, único dos sete clubes do Estado a não figurar entre os dez primeiros. Pior ainda, é o lanterna da competição, e suas chances de ser um dos quatro rebaixados chegam a 82%.
A situação do clube campineiro é resultado de processo de degradação. ''Falta planejamento e critério para administrar o futebol'', diz o ex-presidente Leonel Martins, que comandava o clube quando o Guarani foi campeão brasileiro, em 1978. Para o também ex-presidente Beto Zini, o todo-poderoso entre 1988 e 1999, os atuais dirigentes ''não têm conhecimento para dirigir um time de futebol''.
A desorientação é tanta que, até agora, o Guarani foi dirigido por quatro técnicos neste Brasileiro: Joel Santana, Zetti, Lori Sandri e Agnaldo Liz. Por mais que tenham errado, eles não podem ser apontados como culpados pelo fracasso. ''A diretoria já vinha montando este time desde o Campeonato Paulista e não conseguiu nada'', cita Leonel Martins.


