Em uma partida dramática, onde o talento dividiu espaços com o coração, a Seleção Brasileira passou ontem às semifinais da Copa da França ao derrotar a Dinamarca por 3 a 2, no estádio de La Beaujoire, em Nantes. O adversário do Brasil sairá do confronto entre Holanda e Argentina, hoje, em Marselha. O lateral-direito Cafu recebeu ontem o segundo cartão amarelo e desfalcará a Seleção nesta partida.
Rivaldo foi o grande nome da equipe brasileira, fazendo dois gols em momentos cruciais da partida, quando a pressão da Dinamarca, liderada pelos irmãos Laudrup, paralisou o Brasil.
Os brasileiros começaram a partida inseguros e confusos, tanto que permitiram o gol dinamarquês logo no segundo minuto de jogo. Em uma jogada pelo lado direito, após uma rápida cobrança de falta, Brian Laudrup entrou pela área, livrou-se de Junior Baiano e cruzou para Jorgensen completar para o gol.
Este gol evidenciou um erro que o Brasil cometeria repetidamente ao longo da partida. Cafu subia ao ataque, para explorar as jogadas pela ponta, mas ficava sem cobertura na zaga. César Sampaio e Leonardo, encarregados desta tarefa, não cobriam o setor e facilitavam os ataques dos dinamarqueses.
O sistema defensivo brasileiro, mal posicionado, era ameaçado frequentemente pelos irmãos Laudrup e Jorgensen, que chegavam ao gol de Taffarel com certa frequência, criando boas oportunidades.
Aos 11 minutos, uma troca de passes entre Bebeto e Ronaldinho pegou a zaga dinamarquesa aberta. Bebeto partiu pelo meio, livrou-se de Helveg e disparou no canto do goleiro Schmeichel, empatando a partida.
A zaga brasileira encontrou-se, mas os passes não saíam com precisão e o time prosseguia lento. Os jogadores no meio-campo, especialmente Leonardo, seguravam muito a bola, o que permitia a reorganização da defesa dinamarquesa.
Em meio a este equilíbrio, o Brasil tinha o inspirado Rivaldo, que fez o segundo gol brasileiro aos 26 minutos, dando a equipe uma certa tranquilidade e domínio.
Na segunda etapa, a Dinamarca voltou com Tofting no lugar de Nielsen e aos 21 minutos Moller foi substituido por Sand, enquanto Zagallo tirava Bebeto para colocar Denilson. Posteriormente, Leonardo deu lugar a Emerson. Com Denilson, o técnico Zagallo tentou dar mais movimento ao ataque. A entrada de Emerson procurava reforçar o meio de campo, que sofria grande pressão, principalmente após o segundo gol da Dinamarca, aos 5 minutos, quando Brian Laudrup aproveitou uma falha de Roberto Carlos na área e fuzilou o gol de Taffarel.
O gol de Laudrup equilibrou novamente a partida, com a Dinamarca crescendo no jogo e pressionando a defesa brasileira, que apresentava falhas no setor direito. O terceiro gol foi a salvação, com Rivaldo colocando o talento e a garra na ponta da chuteira, partindo do meio de campo em direção ao gol e chutando à distância para vencer o goleiro Schmeichel na bola do jogo, aos 15 minutos. A Dinamarca buscou o empate por todas as maneiras e o Brasil defendeu-se como pode, tornando a partida ainda mais dramática no final.
Rivaldo ‘‘Eu voltei, definitivamente.’’ Esse foi o espírito do meia Rivaldo, 26 anos, após a partida de ontem. O jogador afirmou que a sua performance marcou a sua ‘‘redenção’’ com a camisa da Seleção Brasileira. ‘‘Sabia que ia dar a volta por cima na Seleção. Eu dei. E vou dar muito mais nos dois últimos jogos da Copa.’’
Rivaldo foi responsabilizado pela derrota da Seleção Olímpica nos Jogos de Atlanta, em 1996. Na partida semifinal, contra a Nigéria, o meia errou uma jogada que permitiu ao time africano marcar um de seus gols. A seleção acabou eliminada e disputou o bronze. ‘‘As coisas saíram legais para mim. Fiquei muito feliz com o resultado da partida e com meu desempenho’’, disse Rivaldo, sobre o jogo contra a Dinamarca.
Segundo o meia, a satisfação de marcar dois gols pode ser comparada à alegria de dar um passe decisivo. Depois da derrota contra a Noruega, na primeira fase da Copa, Rivaldo foi muito criticado por causa de seu individualismo. ‘‘Fico feliz da mesma maneira quando marco um gol ou quando dou uma assistência. Se terminasse sem marcar, ficaria feliz do mesmo jeito. Jogo para a Seleção.’’
Porém o jogador acabou confirmando que a solidariedade em campo não é o seu forte. ‘‘Não sou jogador de tocar. Minha característica é seguir com a bola. Às vezes eu acerto’’, disse. Rivaldo afirmou que não ficou surpreso em marcar dois gols na partida. ‘‘Pelo esforço que fiz durante o jogo, foi normal.’’
O jogador dedicou os gols marcados para a mulher, Rosimeire, que está em Mogi Mirim (interior de São Paulo). ‘‘Beijei a aliança quando fiz o primeiro gol. Tinha falado para a minha esposa que iria marcar. Foi uma forma de falar que o gol foi para ela.’’




FICHA TÉCNICA
Brasil 3
Taffarel; Cafu, Aldair, Júnior Baiano e Roberto Carlos; César Sampaio, Dunga, Rivaldo (Zé Roberto) e Leonardo (Émerson); Ronaldinho e Bebeto (Denílson). Técnico: Mário Jorge Lobo Zagallo
Dinamarca 2
Schmeichel; Rieper, Hogh, Heintze e Colding; Helveg (Schjonberg), Nielsen (Toefting), Joergensen e Michael Laudrup; Brian Laudrup e Moller (Sand). Técnico: Bo Johansson
Árbitro: Gamal Ghandur (EGI)
Estádio: Estádio de la Beaujoire, em Nantes
Público: 39.500
Gols: Joergensen, aos 2 do 1º, Bebeto, aos 11 do 1º, e Rivaldo, aos 26 do 1º; Brian Laudrup, aos 5 do 2º, e Rivaldo, aos 15 do 2º

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