Participar de uma maratona exige uma preparação especial, que vai além dos treinos de corrida. Para não ter problemas, é imprescindível acompanhamentos técnico, médico, nutricional, e, às vezes, até psicológico. Imagine então para quem vai disputar uma ultramaratona, que são provas com mais de 42 quilômetros.
O comerciante Lino Riuzi Matsuo (equipe Duarte Triatlon Team/Academia Gustavo Borges), de Londrina, sente na pele o que é preparar-se para participar de uma ultramaratona. Há pelo menos um ano, todos os dias ele encara uma desgastante rotina de treinamentos visando o Desafio de Passa Quatro (MG), uma prova de 237 quilômetros, que pretende disputar em julho do ano que vem.
É possível cansar só de ouvir o técnico Diego Duarte enumerando as atividades do corredor ao longo da semana. "Toda segunda e sábado, ele tem treinos longos, de 80, 90 quilômetros. Faz musculação duas vezes por semana, e uma coisa que a gente colocou esse ano foi a natação, que ele faz ao menos três vezes na semana e está ajudando a melhorar a capacidade cardiorrespiratória e o deixa mais relaxado", explica o treinador de Matsuo.
Daqui a um mês, ele participa do Desafio de Valinhos (SP), uma prova de 24 horas ininterruptas de corrida, como parte da preparação. E uma disputa como essa, ainda possui algumas particularidades, para as quais também é preciso estar preparado. A logística é uma delas. "Numa prova como essa, a gente não dorme, mas tem que levar a barraca para guardar os pertences, comida. Então, tem que chegar antes para ver o local onde se instalar. Tem que pensar tudo isso", cita Duarte.
Comer e dormir, então, até dá, mas... "Até dá para dormir, mas ninguém para, pois todo mundo quer fazer o seu melhor tempo. Para só se estiver mal. Para se alimentar, a ideia é comer de duas em duas horas. Aí, para na sua barraca, pega o que tem que pegar e continua", explica o treinador, ressaltando que é preciso muito treino e adaptação para submeter o corpo a estas dificuldades. "A gente faz treinos que simulam estas provas, treina a noite, testa também o que vai comer e cada um vai sentindo o que é melhor".
Apaixonado por provas de longa distância, o ultramaratonista conta que todo esse esforço vale a pena para terminar a prova. "É uma sensação diferente. Depois que fiz a primeira, comecei a querer um pouco mais e isso motiva", diz o corredor. E pensar que tudo isso começou por acaso. "Eu jogava bola e comecei a correr para melhorar o condicionamento físico. Gostei tanto que não parei mais de correr e a bola não jogo mais", conta o corredor, que está com 55 anos.
Em Valinhos, ele vai enfrentar ainda mais uma peculiaridade. A prova toda é disputada em um percurso oval, de 1,3 quilômetros. "Tem que estar muito bem de cabeça, porque depois da terceira volta você já decorou tudo e começa a ficar monótono. É complicado", frisa Duarte. "O negócio é ter paciência e saber dosar. À noite, quando o cansaço vai bater você tem que estar bem, senão dificulta muito", emenda o comerciante.
Nada disso, no entanto, tira o ânimo de Matsuo, que tem uma dívida a pagar. "Ano passado fui nessa mesma prova, que foi em Campinas, mas me machuquei e parei com 16 horas. Agora vou para terminar. Ficou a vontade de terminar a prova", revela. "A meta é fazer 140 quilômetros", mira o atleta, que pretende fazer uma única parada durante a prova.

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