Ilha da Trindade, 26 (AE) - Os dois últimos barcos da Regata Eldorado-Brasilis chegaram hoje à Ilha da Trindade, no extremo Leste do litoral brasileiro fechando a primeira perna da maior regata de longo percurso do País, com mais de 1.200 milhas náuticas (cerca de 2.500 quilômetros), saindo de Vitória no Espirito Santo até a Ilha da Trindade e retornando para Vitória.
O veleiro Normandie, do experiente velejador Jadir Serra, foi o primeiro a chegar, as 05h37. Já o Mar Sem Fim, de João Lara Mesquita, cruzou a linha de chegada em Trindade às 08h32.
Depois de uma reunião com a presença de todos os comandantes dos veleiros, ficou estabelecida que a largada para a segunda perna da Eldorado-Brasilis seria às 21 horas desta quarta-feira.
Os três comandantes das embarcações concluíram que os dois primeiros dias da regata foram os mais críticos, pois enfrentaram um mar com força 6 (escala Beaufort, que vai de 1, a calmaria, até 12, furacão).
"No começo o mar estava de matar, mas como temos experiência, foi só manter os aspirantes calmos e tocar em frente", contou o comandante Lunardelli, do Alabatroz, fita azul na disputa, com mais de 10 horas de vantagem para os adversários.
Jadir Serra teve duas velas rasgadas (Genoa 1 e 2) e o Normandie, seu veleiro, só velejava bem com bastante vento, o que não foi muito comum nos últimos três dias. Segundo ele, tirando os imprevistos a velejada até Trindade foi muito boa. "As velas quebraram, mas não tivemos dificuldades. Ninguém teve problemas de enjôo ou passou mal. As coisas foram até faceeis para nós", contou Jadir, que só lamentou ter chegado tão tarde. "Esperava estar em Trindade às 11 horas de ontem (25), mas os ventos não colaboraram".
Hoje depois de tudo acertado entre os comandantes, o pessoal foi até a ilha para realizar uma caminhada e conhecer um pouco das maravilhas desse paraíso ecológico perdido no oceano Atlântico, quase que no meio do caminho entre Brasil e áfrica do Sul. "A ilha é muito bonita, velejamos por toda a costa e cada ângulo forma uma nova paisagem. Por mim ficaria mais dois dias por aqui", revela João Lara Mesquita do Mar sem Fim.
Apesar das belezas os ventos e a força do mar amedrontam os comandantes dos veleiros, pois qualquer discuido pode jogá-los contra as pedras, onde já repousa a carcaça de um veleiro francês. Pensando nisso, o pessoal do Albatroz passou o dia procurando um lugar seguro para fundear. Na garantia, acabaram prendendo o veleiro na popa do rebocador Tridente da Marinha do Brasil, que está monitorando a aventura.
Teoricamente a volta dos veleiros para Vitória será mais fácil. O vento será de popa, o que aumenta a velocidade das embarcações. Mas o comandante Lunardelli, alega: "a volta nos favorece, mas temos de dobrar a atenção, são quase 600 milhas e tudo pode acontecer".
Os barcos da Regata Cidade do Cabo - Rio de Janeiro continuam montando a Ilha da Trindade. Hoje, o veleiro Concorde, que tem uma brasileira a bordo entrou em contato com o Mar sem Fim. Solicitou algumas informações de vento e reclamou da falta deles nesta região. Julia, como se identificou, espera chegar em Copacabana no dia 2. Mar Sem Fim perguntou se precisava de algo mais e Julia apenas respondeu "está tudo certo por aqui e nosso único problema foi mesmo a falta de ventos".

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