O carioca reservou justamente para o último dia da visita da missão do Comitê Olímpico Internacional (COI) as mais calorosas manifestações de incentivo à candidatura do Rio a sede da Olimpíada de 2004. As festas contaram até com a colaboração da natureza, já que ontem, pela primeira vez desde a chegada da comitiva ao Rio, o sol apareceu.
O dia típico de verão, com as praias cheias, fez os representantes do COI esquecerem a monotonia das conferências e visitas oficiais e passearem pela orla marítima carioca, sendo efusivamente aplaudidos e abraçados por banhistas, patinadores, ciclistas e praticantes de cooper.
A rotina dos delegados do COI começou a se modificar assim que eles saíram do hotel Copacabana Palace e se depararam com o céu aberto. A caminho do ônibus que o levaria para uma visita ao Parque Olímpico Universitário, na Ilha do Fundão, Bach foi abordado pelo maratonista Delsuito Leite de Oliveira e pelo gari Sérgio Pereira Leite. Oliveira entregou ao alemão uma camiseta do Vasco e, em troca, recebeu uma réplica de medalha, enquanto Leite, que varria o calçadão da Avenida Atlântica, disse num inglês quase incompreensível que a cidade estava ‘‘limpa e pronta para sediar a Olimpíada’’.
Ele bateu bola com dois garotos, que foram driblados por Bach. ‘‘Levei um ovinho dele’’, disse Guilherme Carvalho, de 15 anos, satisfeito pelo alemão ter passado a bola debaixo de suas pernas. Quando encontrou uma baliza, Bach se posicionou para bater um pênalti. O chute saiu rasteiro, no canto esquerdo do goleiro Hélio Júnior, de 22 anos, que saltou para o outro lado, para delírio da multidão que cercava Bach e não parava de gritar seu nome.
Ponto alto A Praia de Cobacabana foi palco do ponto alto das homenagens - e até mesmo da passagem da missão do COI, na avaliação de integrantes do Comitê Rio-2004. Em frente ao Copacabana Palace, Thomas Bach foi recepcionado por 120 índios, integrantes de 10 tribos. O alemão assistiu à saudação da amizade - uma dança dos povos do Xingu - e aceitou prontamente o convite para se incorporar à roda formada pelos índios. Em seguida, ele recebeu da tribo Kanela, do Maranhão, colares e um cocar que é usado pelos grandes chefes indígenas.
Mais adiante, Bach teve o rosto pintado com uma tinta à base de urucum, de tom avermelhado, cor que segundo o cacique Marcos Terena representa a paz entre os povos. Já o cacique xavante Benjamin fez demonstrações de arco e flecha para o alemão, que perguntou se o índio viria ao Rio caso a cidade sediasse a Olimpíada. Diante da resposta afirmativa do cacique, Bach o cumprimentou e disse que ‘‘esse é o interesse não só dos cariocas, mas de todo o povo’’.

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