Última Olimpíada frustrou torcedor
Janaina Tupan Frare
De Londrina
Especial para a Folha
O londrinense Aurélio Vicente Feldman, 23 anos, jurou que nunca mais assistiria aos jogos da Seleção Brasileira depois de ver a derrota do Brasil para a Seleção da Nigéria nas semifinais dos Jogos Olímpicos de Atlanta (EUA), em 1996 e ele estava lá. Pensei que fosse esperar 90 minutos para ver o Brasil ir de encontro com a Argentina, na final, diz ele. Mas o que viu foi muito diferente: o Brasil desperdiçou a grande chance de conquistar o tão sonhado ouro olímpico, ainda inédito na história do futebol brasileiro.
O Brasil chegou a estar vencendo o jogo por 3 a 1, no primeiro tempo, mas não conseguiu impedir a reação dos africanos, que empataram (3 a 3) na segunda etapa. Na prorrogação, com morte súbita, o atacante Kanu marcou, logo aos quatro minutos, o gol que garantiu a Nigéria na decisão. Parece que ainda estou vendo o Kanu comemorar o gol na nossa frente disse Aurélio à Folha na quinta-feira.
Ele estava na arquibancada, junto à torcida brasileira, bem atrás do goleiro Dida, na hora do gol. A revolta maior é que ninguém conhecia esse tal de Kanu, que de repente apareceu e tirou o Brasil da final olímpica, lamenta. Para Aurélio, ainda é inexplicável o fato de o Brasil perder para uma seleção sem nomes importantes e sem infra-estrutura. A Seleção Brasileira tinha os melhores jogadores do mundo, ficou hospedada em hotel fora da vila olímpica, viajava de avião pra cima e pra baixo, tinha a alimentação balanceada por nutricionista e perdeu para jogadores que viajavam de ônibus e comiam hambúrguer e pizza, diz, ainda indignado.
Depois da decepção, mais um motivo para ficar aborrecido: na hora de ir embora, teve de enfrentar a torcida nigeriana, que embarcou no mesmo ônibus para retornar ao hotel, comemorando a vitória sobre o Brasil e a conquista da vaga para a final.
Aurélio, que já tinha comprado o ingresso para assistir à final, prevendo que o jogo fosse entre Brasil e Argentina, recusou-se a ir para o estádio, mas guarda até hoje o ingresso que custou US$ 80 R$ 146 na cotação de ontem. Comprei o ingresso porque o futebol era o único esporte que tinha certeza de ouro, mas eles entregaram o jogo. Os jogadores são profissionais, são muito bem pagos, mas, na hora que precisa, eles não reagem, critica Aurélio. Ganhamos o bronze, mas com gosto amargo, ele se recorda.
Para testar a resistência e a promessa de Aurélio, a seleção veio atrás dele em Londrina. Mas desta vez para tentar a classificação para as Olimpíadas. Aurélio resistiu até quarta-feira à tarde, quando foi obrigado a levar a sobrinha Aline, de 12 anos, e o cunhado João, 11, ao treino no VGD.





