Berlim - Mesmo que saiam derrotados, Zidane e seus escudeiros ficarão na história como a brilhante geração francesa que conquistou uma Copa do Mundo e foi vice-campeã de outra, além de ter ganho a Eurocopa-2000. Na Itália, a derrota será a pá de cal em uma geração que muito prometeu e pouquíssimo cumpriu.
Um destino por demais parecido com a safra antecessora, simbolizada pelo pênalti mandado às nuvens por Roberto Baggio na final do Mundial de 1994. Claro que não se pode culpar Del Piero, Totti e Cannavaro, todos já ou quase na casa dos 30, pelo jejum de títulos da Azzurra, cujo último troféu foi o Mundial de 1982.
Ao mesmo tempo, o torcedor italiano guarda a frustração de que, fora o vice-campeonato na Eurocopa-2000 perdida para a França esta geração carrega a vexaminosa eliminação para a Coréia do Sul nas oitavas-de-final do Mundial de 2002.
Há dois anos, o time sequer passou da primeira fase da Eurocopa em Portugal e muitos fãs devem ter temido por papelão semelhante quando, um mês antes do Mundial, estourou o escândalo de manipulação de resultados que ameaça rebaixar Juventus, Milan, Fiorentina e Lazio, clubes de 13 dos 23 jogadores do técnico Marcelo Lippi.
Ainda que a Itália tenha se classificado em primeiro no Grupo E, com vitórias sobre Gana e República Tcheca, o empate com os americanos e o 1 a 0 com pênalti duvidoso diante da Austrália nas oitavas não encheram os olhos. ''Estamos mais fortes do que nunca. A final será a última oportunidade para muitos de nós numa Copa. Acima de tudo, queremos alegrar o povo italiano e mostrar o valor de nosso futebol'', afirma o zagueiro Cannavaro, do Juventus.
O jogador tem motivos extras para rir por último no duelo de hoje: além de ter feito parte da seleção que morreu pertinho da areia na Eurocopa-2000, tendo falhado num dos gols da França, Cannavaro estava no time eliminado por Zidane & Cia. nas quartas-de-final do Mundial de 98. A final de hoje será sua centésima partida pela seleção. Um bom desempenho da zaga vai ajudar o goleiro Buffon, seu colega de clube, a estabelecer novo recorde de minutos sem sofrer gols numa Copa. O atual, de 517, pertence a outro italiano, Walter Zenga, que atuou no Mundial de 1990.
Se Cannavaro marcar um gol, ajudará a Itália a provar o argumento de que seu conjunto fala mais alto que lampejos de seus jogadores mais talentosos: seus 11 gols foram marcados por dez jogadores, o que não se via em Mundiais desde 1982, com a França.
Uma vitória da Azzurra também representaria a promessa de um sopro de vida no futebol local. Hoje, apenas Juventus, Milan e Inter têm as finanças em dia e combatem os efeitos de uma queda vertiginosa nas médias de público do campeonato, motivada também por um aumento nos casos de violência e manifestações racistas nos estádios. ''Há muito em jogo para a Itália nessa Copa. E pouca gente se lembra de quem terminou em segundo lugar numa competição'', afirma o zagueiro Materazzi, 33 anos. (Agência O Globo)

mockup