UEM inicia a produção de novos remédios
UEM inicia a produção de novos remédios
Os medicamentos serão incluídos na lista do programa Farmácia Básica, que passa a contar com 42 tipos de remédios
Da Redação
Joel Rocha
Farmácia básicaMedicamentos do Ministério da Saúde estocados no Cemepar, em Curitiba, prontos para serem enviados a SC e ao RSA política estadual de medicamentos, colocada em prática pelo governador Jaime Lerner no início de 1995, ganha mais dois importantes aliados no combate a doenças. A Universidade Estadual de Maringá (UEM) já começou a produzir dois medicamentos fitoterápicos da tintura de maracujá e emulgel de calêndula, que serão em junho à Farmácia Básica Paranaense, que conta agora com 42 remédios capazes de combater 80% das doenças mais frequentes.
A tintura de maracujá, que é um calmante com a vantagem de não causar dependência química, é recomendado no combate à insônia e ao estresse. O emulgel de calêndula é utilizado como cicatrizante. Com investimento de R$ 100 mil, nessa primeira fase serão produzidas 40 mil unidades de cada medicamento. Os remédios têm a eficácia comprovada cientificamente e o preço final do produto será até quatro vezes mais baixo que o do mercado, afirma Michele Caputo Neto, coordenador estadual da área de medicamentos da Secretaria Estadual da Saúde.
Essa é a segunda ampliação do Farmácia Básica Paranaense, que inspirou o governo federal a implantar um programa similar em todo o País. A primeira foi em julho do ano passado, quando foi implantado o Programa de Controle de Hipertensão Arterial, que hoje atende 130 mil hipertensos em 285 municípios. A intenção do governo é a de atender ainda neste semestre a todas as cidades paranaenses, beneficiando cerca de 224 mil pacientes.
Para receber o benefício, a pessoa precisa apenas cadastrar-se em qualquer posto de saúde no Estado. A preocupação do governador Jaime Lerner ao incluir a hipertensão arterial na política estadual de medicamentos é reduzir o custo social e econômico dos desdobramentos da doença, verificados quando ela não é tratada. O enfarte agudo do miocárdio, por exemplo, matou 3.771 pessoas no Paraná no ano passado, tornando-se a principal causa de mortes não-violentas no Estado.
ResultadosMas enquanto viabiliza a ampliação do atendimento a hipertensos, o governo comemora os resultados significativos de sua política de medicamentos, que beneficia 4 milhões de pessoas. Entre 1995 e 1997, foram distribuídas 650 milhões de unidades de medicamentos. Até o fim deste ano, serão 900 milhões de unidades. O governo atual vai distribuir mais remédios do que as últimas duas gestões juntas (entre 1987 e 1994, quando em oito anos chegaram aos postos de saúde cerca de 880 milhões de unidades).
A Farmácia Básica - que já foi copiada pelos estados de São Paulo e Minas Gerais e pelo governo federal - responde por 40% da distribuição. O restante é destinado a hospitais estaduais, rede ambulatorial e programas especiais do governo. Só no ano passado, o governo investiu R$ 51 milhões em medicamentos. Acabou-se também o fisiologismo político para a distribuição de medicamentos. Hoje, existem critérios de distribuição para todos os municípios, independente da bandeira partidária, explica Caputo Neto, que trabalha há 13 anos na Secretaria Estadual de Saúde.
Antes da implantação do Farmácia Básica, os medicamentos eram distribuídos por meio da extinta Central de Medicamentos (Ceme) do Ministério da Saúde. Segundo Caputo Neto, a Ceme não repassava nem 10% da previsão de demanda solicitada pela Secretaria. Com criação do Farmácia Básica, a situação mudou e todos os 399 municípios começaram a ser beneficiados. Eles recebem os medicamentos a cada trimestre.
A quantidade varia de acordo com a população local e indicadores de saúde como aspectos sócio-econômicos, ambientais e oferta de serviços. O repasse não representa ônus aos municípios. No entanto, se as prefeituras fossem adquirir os medicamentos no mercado pagariam um valor até quatro vezes superior ao obtido pelo Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar). O melhor preço é resultado da negociação com laboratórios oficiais e das parcerias que vêm sendo firmadas para a produção local de alguns medicamentos.
Outros programasAlém do Farmácia Básica e do Controle da Hipertensão Arterial, o governo mantém outros programas em todo o Estado. O Programa de Medicamentos Excepcionais também tem apresentado bons resultados.
No ano passado, foram investidos R$ 9 milhões em medicamentos de alto custo para beneficiar pacientes renais crônicos, portadores de síndromes congênitas, diabéticos, entre outras doenças. Pacientes também são atendidos nos programas de Combate à Tuberculose e à Hanseníase, Planejamento Familiar e Saúde da Mulher.





