Turfe (Mário Sérgio Silveira Marquez)
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terça-feira, 22 de dezembro de 1998
Quarta sem corridas 
Nesta quarta-feira, excepcionalmente, não teremos corridas no Tarumã. Acontece que São Paulo ficou com o mico das reuniões de 24 e 31 de dezembro, e num acordo com a diretoria paranaense, foi-lhes cedida esta quarta-feira. As corridas retornam dia 30, quando o Jockey Club do Paraná fará a última reunião turfística de 1998. Na sequência, as carreiras voltam ao seu ritmo normal, começando em 6 de janeiro.
RETROSPECTIVA 98
1998, à luz das crises internas e externas, foi um ano positivo para o turfe, e especialmente para o paranaense, já que o paulista e o gaúcho, por exemplo, atravessam fases difíceis, porém contornáveis. O grande destaque em 98 ficou por conta das apresentações, ou melhor, exibições, do craque Jack Grandi, que, em pista de areia, a meu ver é o melhor corredor da América do Sul. Jack Grandi levou as duas mais importantes provas do nosso turfe, o Derby Paranaense-Grupo 2, e o GP Paraná-Grupo 1. Ele tem tudo para ser eleito, em julho, o Cavalo-do-Ano.
O movimento de apostas, que teve problemas no segundo semestre, parece estar estabilizado no patamar semanal de 170/180 mil. Acredito que poderemos atingir os 200 mil por reunião em 99, especialmente com o início dos potrinhos.
ELEIÇÕES 99
O Jockey Club do Paraná tem eleições marcadas para 15 de março, e, segundo os comentários que correm pela Vila Hípica, existem sete possíveis pré-candidatos. Evidentemente este número é absurdo, embora a possibilidade de termos disputa entre dois ou até três candidatos - o que é extremamente raro - o mais provável é que haja um consenso. É possível que aconteça uma reunião entre algumas lideranças no dia 13 de janeiro, visando a formação de uma chapa única. De qualquer forma, o simples interesse de sete turfistas pela sucessão de Aramys Bertholdi já é um sintoma positivo.
ÚLTIMA ATRAÇÃO
O último Grande Prêmio de 1998 será realizado no dia 30. Trata-se do importante GP Luiz Jácome de Abreu e Souza, prova das mais tradicionais, e que, incrivelmente, ficou durante alguns anos esquecida do calendário clássico. O capitão Luiz Jácome foi enviado pelo Império para o Paraná, visando criar aqui um clube de corridas de cavalos - naquela época, muito mais do que hoje, um apanágio da aristocracia européia. Homem de grande visão e determinação ferrenha, o capitão conseguiu montar em tempo recorde um hipódromo, e, em 2 de dezembro de 1973, com a presença das maiores autoridades, realizou a primeira corrida de cavalos oficial em Curitiba.
Cento e vinte e cinco anos depois, a memória deste verdadeiro pioneiro, que ao que parece não deixou herdeiros no Paraná, é devidamente relembrada pelo Jockey Club, num Grande Prêmio na clássica distância da milha, reunindo os melhores especialistas do Tarumã, como Ingher Amber, News Man, Just Seller e outros. Uma prova que encerra 98 com chave-de-ouro.
Mário Sérgio S. Marquez é criador e proprietário de cavalos de corrida, e sócio-ouro do Jockey Club do Paraná. E-Mail: [email protected]


