Um dos meus objetivos aqui é o de desmistificar as noções erradas de que o turfe é coisa de milionário. Em primeiro lugar, ninguém é obrigado a ter um cavalo para frequentar o Jockey Club. Creio que menos de 10% dos sócios do clube são proprietários. Depois, preço de cavalo é algo extremamente variável. Um dos bons potros da atual geração, que se chama Rey Tório, custou R$ 1,5 mil em 15 pagamentos mensais de somente R$ 100,00. Ele já venceu duas corridas, faturando mais de três vezes seu preço, já correu até Grande Prêmio, e deve valer hoje uns R$ 7 mil. Foi um negócio de baixíssimo risco e excepcional valorização (grosso modo, 70% ao mês). Por outro lado, o melhor cavalo do Brasil, Quari Bravo, já teve recusadas várias propostas americanas, dizem que a última de 1,3 milhão de dólares. Na média, um cavalo custa de duas a três vezes o valor do prêmio que terá direito a correr, mas estas explicações mais detalhadas eu deixo para outro dia.

O Cabecinha
Conforme se pode atestar, o índice de acertos do Cabecinha é algo impressionante. O homem geralmente arrebenta em suas barbadas. Vamos novamente seguir as indicações do ‘‘Grande Professor’’: ele tem o que você precisa...
1º páreo - Volta tinindo o Fortyfourbullet, magnífico potro com experiência em ‘‘retas’’. O Ponta Porã pode abrir a série de ganhadores de hoje. Sua diferença - e uma dupla muito bem jogada - é Glint of Joy, de cuja estréia gostei bastante, e que tem raça para dar e vender.
2º páreo - Como sempre, os estreantes do comandante João Carlinda em páreos curtos são visadíssimos. Está mais do que falado o Get a Skate, número 01. Outros 2 estreantes de bons predicados também merecem respeito: Medalhista e Cartão Ouro. Inverta os 3 e bola pra frente.
3º páreo - Com vitória em Cidade Jardim, Engalane D’arc surge como força nesta chamada mais do que favorável. Easy Holland vem de correr clássico e, portanto, tem que ser respeitado também, mas o lindo potro Baldwin deu um verdadeiro show na estréia, e pode perfeitamente repetir a dose.
4º páreo - Páreo que parece fácil mas pode ficar complicado. Raio Laser vem ganhando tudo, é favorito e pode mesmo continuar a série, embora eu considere a parelha de baixo como fortíssima rival. Olho ainda em Detonation Life, Ultranobre e Que Free, que regulam com eles.
5º páreo - O grande ‘‘pega’’ da reunião será entre Darimont e Jacarandá Belo. Ambos vêm de vitórias em tempos excepcionais, e são potros de padrão clássico. A dupla, em corrida normal e sem ‘‘train’’ suicida, já deu. Por dever de ofício, ficaria com Darimont para primeiro.
6º páreo - Nesta enturmação, mesmo corrido pelo método confuso, Giscours tem que ganhar, e fácil. Me parece a mais firme de hoje. Gosto da Scuderia Tricolor para a dupla.
7º páreo - Chris Balafré é nome do retrospecto, e vou com ela para primeiro. Para a dupla a coisa já fica bem mais séria. Pela ordem vou com En Adrid, Lady Miron e Kagiwa. Olho em Miss Maravilha, cuja estréia não valeu.
8º páreo - Gosto do trio Itaquerê Runner, Fogo Gaúcho e parelha 9. O páreo não é bolinho. Melhor ‘‘arredondar’’.
9º páreo - Vai vender a pedra o invicto Forward, e ele é mesmo força. Estão bem mexidos Saci da Guanabara e Easy Max, que enfrentavam paradas mais duras em São Paulo. Cuidado ainda com Flor Vermelha, que, pelo retrospecto, é a mais provável para a dupla.
10º páreo - Para mim o páreo se decidirá entre Heetagon e Cor do Pecado. O primeiro é a lógica mais pura, mas o segundo, se corrido com calma para uma partida curta, pode derrotá-lo.
11º páreo - Outra verdadeira ‘‘loteria’’ este páreo. Há boatos de que o estreante Concorde Light é experimentado em canchas-retas. Como no páreo não há nenhuma especialidade, convém checar a pedra. Dos corridos, Kentucky Express, que parece estar ‘‘na vez’’, Black Boy, Island Glen e a parelha 10.
12º páreo - Alternativa deu um vareio na última, mas, mais acanchada e em percurso mais favorável, Opalin, em minha opinião, vai dar-lhe o troco nesta. Vou com ela (número 01).
Acumulada do Cabecinha
1º páreo: Fortyfourbullet
6º páreo: Giscours
7º páreo: Chris balafré
9º páreo: Forward
12º páreo: Opalin
Mário Sérgio Marquez, criador de cavalos e membro do Jockey Club do Paraná, escreve sempre às sextas-feiras na Folha

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