Turfe (Mário Sérgio Marquez)
Fim de um mito
Às 14 horas do último dia 07, no Haras Preto & Ouro Ltda (o mesmo onde nasceu em 1975), morreu o legendário Riadhis, um dos mais extraordinários cavalos brasileiros de todos os tempos. Dono de façanhas extraordinárias, em uma campanha cujas facetas inéditas a meu ver não têm paralelo na história do nosso turfe, o grande campeão conservou sua famosa forma física intacta até a provecta idade de 24 anos. Da última vez que o vi, em novembro, ostentava a mesma beleza, sanidade e correção de aprumos que tantos elogios receberam ao longo de sua saga nas pistas nacionais. Para qualquer um que não o conhecesse, ele não teria mais do que 10 ou 12 anos.
Riadhis foi um dos capítulos mais preciosos que a criação paranaense escreveu até hoje. Ele estreou ganhando em recorde a penca da Fazenda Rio Grande, para a seguir estrear em Cidade Jardim assinalando também recorde para os 1.000 metros. Na ocasião, Albenzio Barroso comentou com sua criadora, Teresa Camargo: Vai demorar muito tempo para derrotarem este cavalo.
Riadhis a seguir venceu vários clássicos da geração em São Paulo, até que finalmente estreou no Tarumã, na 1ª prova da Tríplice Coroa. Tirou os rivais da foto e quebrou outro recorde, o da milha. Aí começam as façanhas: recorde ao estrear na Fazenda Rio Grande (600 metros), em Cidade Jardim (1.000 metros) e no Tarumã (1.600 metros).
Depois de vencer a Tríplice Coroa Paranaense aos esbarros, intercalada com novos clássicos paulistanos, Riadhis encarou uma pedreira chamada Big Lark (posterior ganhador do GP Brasil) justamente no GP Paraná, em 2.400 metros. O mano-a-mano até hoje é lembrado, e o pilotado de Mauri Santos mais uma vez levou a assistência ao delírio ganhando na fotografia.
Após disputar a Coroa paulista, chegando em 2º no Ipiranga e 3º no Consagração, em 3.000 metros, Riadhis foi 8º (em 17) no GP Brasil, vencido por Aporé. Exatamente um ano depois, especializado na milha, ele venceu na Gávea o GP Presidente da República.
Depois de brilhar em 2.400 e 3.000, aqui começa uma outra fase, a dos 1.600 metros, distância em que ele, três meses antes, havia feito 4º, em carreira tumultuada, na Milha Internacional do GP São Paulo, e na qual três meses depois entrou 2º, em recorde, para Bambur, na Milha do GP Bento Gonçalves. Em sua única experiência gaúcha, nosso herói esteve mais uma vez envolvido com recordes!
Não posso me lembrar de nenhum outro cavalo na história do turfe brasileiro, quiçá mundial, que tenha conseguido reunir tantos feitos raros, com tamanha amplitude de pistas e distâncias, sempre competindo contra os especialistas. Quase sempre com sucesso. Que outro animal ousaria enfrentar de igual para igual Big Lark, Sunset, Baleal e Aporé em 2.400 e 3.000 metros, Laughing Boy, Dutchmann, Joy King e Dominium na Milha, Intelsat, Ornarello, Orient Express e Opalelê em distâncias médias, e Haffers, Marceline, Henley e Princesa Grega no quilômetro?
O CABECINHA
Está de volta o Grande Professor, para alegria dos turfistas. Depois de merecidas férias, o homem promete estraçalhar já na 1ª rodada com suas imperdíveis. Dicas preciosas selecionadas especialmente para os leitores da Folha:
1ª FIRME QUETROTA MUNDO estréia em turminha doce-de-côco no 1o páreo. Só estará com eles na partida...
2ª FIRME PAZZLE e FAST GOER me parecem as forças na 4ª prova. Escolha a ponta.
3ª FIRME LAWLESSLY ganhou bem e traz ótimo apronto. Pode manter-se invicto na 5ª carreira.
4ª FIRME Os atrasados SOLEIRO e EXTRA TIGER podem decidir o 8º. Gosto um pouco mais do último.
A POULE Este CHINÊS quando resolver correr o que sabe vai dar um pulaço. Pode ser neste 7º páreo...





