Turfe (Mário Sérgio Marquez)
NOS ESTADOS UNIDOS
Algumas notícias que saem no turfe dos Estados Unidos são mesmo de arrepiar, e não apenas no que diz respeito à valores, matéria na qual os ianques sempre surpreendem. A rede ESPN, maior transmissora de esportes do mundo, acaba de concluir uma enorme pesquisa, realizada em todos o país, visando eleger os 100 maiores atletas do século nos Estados Unidos.
Ganhou Michael Jordan, com Babe Ruth (beisebol) em segundo, e Muhammad Ali (prefiro Cassius Clay) em terceiro. Até aí, tudo normal. O interessante é que o 35º colocado foi o cavalo Secretariat, último Tríplice Coroado Americano, e isto em 1973 !
Vejam que o cavalo (que foi inclusive capa da revista Times) obteve esta preciosa colocação a despeito de muitos desconhecerem a possibilidade de votar num animal, caso contrário ele poderia ter chegado ainda mais perto. O respeitável jornal Washington Post, por exemplo, deu ao alazão filho de Bold Ruler a quarta colocação entre os 100 maiores do século!
Também é interessante mencionar que, além de Secretariat, outros dois animais finalizaram entre os 100: Man OWar (84º) e Citation (97º). Imaginem o que seria do turfe no Brasil se os animais daqui tivessem a divulgação e o apelo que tem os de lá...
VISA TRIPLE CROWN
Outro feito admirável do turfe americano. O cartão de crédito Visa patrocina uma disputa que se traduz por uma bolada para o animal que conseguir ganhar a Tríplice Coroa Americana. O último que conseguiu, conforme escrevi acima, foi o Secretariat, em 1973. Nos anos de 98 e 99 os animais Silver Charm e Charismatic ganharam as duas primeiras provas e perderam a última corrida na fotografia !
Agora o valor do prêmio: US$ 5.000.000,00. O detalhe é que as três provas que compõe a Tríplice Coroa Americana já são altamente bem dotadas, oferecendo dois milhões na primeira, e um nas outras duas, de maneira que se este ano algum iluminado ganhar a Tríplice Coroa Americana leva pra casa um total de nove milhões de dólares.
MISTERIOSO ENIGMA
Um conhecido expert do Tarumã, depois de muito observar os trabalhos matinais da geração 97, que começa a correr neste mês e da qual ainda temos mais de 90% dos representantes inéditos, lançou a seguinte profecia: a craque da geração tem uma meia-lua na testa. Agora vá entender...
CLÁSSICO LATINO-AMERICANO
Em março acontecerá em São Paulo pela terceira vez desde que foi instituído, o Clássico Latino-Americano, aos olhos de muitos a mais importante prova do turfe continental. Esta grande corrida, cuja dotação ao ganhador é de US$ 100.000,00 ou quase duzentos mil reais, é disputada em 2.000 metros na pista de grama (em alguns hipódromos de outros países, na areia) devido ao sistema de rodízio entre Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Peru e Venezuela, que formam a Associação Latinoamericana de Jockeys Clubs.
Teremos quatro representantes do Brasil na prova, sendo dois de São Paulo e dois do Rio de Janeiro. Os paulistas realizarão uma seletiva em 19 de fevereiro, mas tudo faz crer que, independentemente do resultado desta prova preparatória (este seria o termo correto), os indicados por São Paulo serão o paranaense Belo Colony e o potro paulista Puerto Madero, que vem de excelente exibição no GP Carlos Pellegrini-G 1, maior prova da Argentina, onde foi o quarto colocado.
NA SEQUÊNCIA
Pouco menos de dois meses depois do Clássico Latino-Americano, os melhores animais do Continente tem novo encontro marcado: trata-se do GP São Paulo, este em 2.400 metros, cuja dotação deve ficar por volta dos 200 mil reais também.
Sem contarmos com os oito ou dez clássicos que serão realizados entre janeiro e junho somente para animais de distâncias clássicas ou seja, acima de 2.000 metros apenas o turfe de São Paulo vai oferecer quase meio milhão de reais em prêmios, o que bem demonstra a pujança do Esporte dos Reis em nosso País. Nenhum outro tipo de disputa envolvendo animais pode competir com o turfe, e, em se tratando de outras raças de equinos, então, não tem nem graça. Para quem aprecia cavalos, o único caminho com possibilidades de grandes lucros reais e imediatos está nas corridas de cavalos de Puro-Sangue Inglês.
MANCADA NACIONAL
Uma reportagem inserida na revista Veja destacou a criação de cavalos de corrida de puro-sangue inglês na cidade de Bagé, no Rio Grande do Sul, como a principal fonte de investimentos naquela região. De fato, somente em cavalos de corrida pastam nos oito ou dez haras ali existentes mais de 50 milhões de reais em equinos PSI...
Acontece que, certamente por alguma confusão, publicou-se que os cavalos estavam se beneficiando muito da inseminação artificial. Ora, como é mais que notório no meio, a inseminação artificial é proibida pela ABCCC Associação Brasileira de Criadores de Cavalos de Corrida e pelo Stud-Book Internacional, de maneira que inseminação artificial não existe na raça.
Mário Sérgio S. Marquez, criador e proprietário de cavalos de corrida, e sócio-ouro do Jockey Club do Paraná, escreve sempre às terças-feiras na Folha.





