O turfe dos Estados Unidos é o mais desenvolvido do mundo. Movimenta tanto dinheiro em leilões, apostas, seguros, etc, que é a 8ª maior economia do País, com um ‘PIB’ certamente superior ao de muitos países. Sindicalizações de garanhões estão entre os maiores negócios, e, uma vez que um garanhão como Mr. Prospector poderá cobrir 150 éguas por ano, ao custo de US$ 150 mil cada serviço, a avaliação de um Sunday Silence (adquirido nos EUA por um consórcio japonês) por US$ 100 milhões não parece tão absurda.
Um dos motivos pelo qual lá as coisas funcionam é o apoio de grandes corporações multinacionais. Por ocasião da última Breeder’s Cup, agora em novembro, o hipódromo de Churchill Downs, localizado em Louisville, no Kentucky, divulgou sua relação - impressionante - de patrocinadores. Entre outros: Coca-Cola, Ford, General Electric, Bayer, Seagram, Visa, Colgate/Palmolive, Fuji Filmes, Anheuser/Busch (Budweiser), Kraft Foods, Texas Corp, Pizza Hut, Taco Bell e TWA.
Esteio são as apostas
Como aqui no Brasil os grandes empresários mal e mal fazem caridade, imaginem contar com as nossas indústrias num esporte elitizado como as corridas de cavalos. São raras as exceções, mas as coisas felizmente começam a melhorar, haja vista que em 97 e 98 o GP Paraná foi patrocinado pela Companhia HACO de Etiquetas - a maior do mundo em seu segmento.
Assim, o sustentáculo do turfe nacional está nas apostas. Quanto mais se aposta nas corridas, mais os Jockey Clubs conseguem dar prêmios melhores nos páreos. Quanto mais altas as premiações, mais caros são os cavalos, e, evidentemente, mais investem os criadores, sabendo que seus produtos terão um bom preço no mercado.
Modelos
O turfe nacional, especialmente o do Rio de Janeiro, é bastante heterodoxo em matéria de modalidades de apostas. São vários tipos à disposição do apostador. Os modelos ‘básicos’ são o VENCEDOR (animal tem que vencer), o PLACÊ (animal tem que vencer ou fazer segundo - chances mais altas mas dividendos menores) e a DUPLA (que pode ser exata ou inexata). Os rateios são variáveis, mas normalmente um vencedor paga duas ou três vezes o capital, um placê entre 1,5 e duas vezes, e uma dupla de 5 a 10 vezes. Isto para animais teoricamente com bastante chance. Um ‘azarão’ pode ratear até 500 vezes o valor apostado.
Nas modalidades de BOLO e BETTING, o turfista tem que acertar, respectivamente, 8 vencedores e 4 duplas exatas. Estes concursos oferecem garantias mínimas de até 50 mil reais, mas, quando acumulam, ou seja, não encontram acertador naquele dia, atingem proporções milionárias. Concursos como estes com R$ 1 milhão acumulados já aconteceram no Brasil.
Como funciona
Para apostar num páreo, o interessado tem que estar no Jockey ou numa das centenas de agências de apostas, que são concessões dadas pelos hipódromos a restaurantes, bares, clubes, agências lotéricas, etc. A aposta mínima é de R$ 1, e não há limite máximo.
Hoje a maioria dos turfistas assiste às corridas em casa, pela parabólica ou TV a cabo, e aposta tranquilamente pelo telefone, através da rede de agências que citei acima, ou direto no Jockey Club, via Teleturfe. Os pagamentos e recebimentos são feitos às terças-feiras. Nos hipódromos, evidentemente, o jogo é pago e recebido à vista, em dinheiro, ou através de cheque vistado por algum diretor.
O Cabecinha
Nesta semana, nosso companheiro, o Cabecinha, novamente assistiu ao sol nascer no ‘paddock’ do Jockey Club, e está pronto para fornecer palpites abalizados para os leitores da Folha. Vamos às dicas para as corridas desta quarta-feira.
1º páreo - QUESITO REAL deve ganhar. Sua única rival é ÍNDIA VALENTE. A dupla entre os dois é ‘‘líquida e certa’’.
2º páreo - Volta a invicta LUA DOURADA, cujas 2 atuações foram impressionantes. Deve largar e acabar. Aqui há outra dupla ‘‘morta’’, com o LENO DE CRITIQUE.
7º páreo - Vou indicar uma potranca que deve dar 10 x 1 de rateio. Trata-se de KALAHARI MELODY, cujo trabalho foi excelente, e que na última atuação foi muito prejudicada. Uma dupla ‘‘de 3 andares’’ com outra pupila do treinador líder, Beto Feltran (Top Training): RAINBOW CITY.
10º páreo - Para encerrar a reunião, indico como ‘‘tábua de salvação’’ o ASK LIVE. Se voltar bem, ZÍNGARO pode atrapalhá-lo.

mockup