Turfe (Mário Sérgio Marquez)
Turfe (Mário Sérgio Marquez)
Lazer ou negócio?
Prosseguindo com o tema da semana passada, acho interessante e até fundamental mencionar o que penso ser um dos principais atrativos do turfe: a possibilidade de aliar uma atividade econômica ao lazer. Com efeito, qualquer hobby envolve um determinado custo, que pode ser grande (automobilismo, por exemplo) ou pequeno (como o de um futebol no final de semana). Em quaisquer destas atividades, salvo se o adepto for um profissional-fenômeno como Schumacher ou Zico, há que se despender dinheiro. No turfe, a possibilidade de não ter de fazê-lo, ou até mesmo de lucrar com ela, é bastante real.
Mercado forte
Não é o caso de exemplificar os muitos criadores e até mesmo proprietários que conheço que ganham dinheiro criando ou negociando cavalos. É bem verdade que a esmagadora maioria não faz do Esporte dos Reis seu meio de vida, mas em muitas ocasiões o lucro vem, mesmo sem nenhum empenho profissional neste sentido.
Anualmente, são vendidos em torno de 4 mil animais Puro-Sangue Inglês em centenas de leilões pelo Brasil afora. A maior praça é São Paulo, que deve organizar entre 40 e 60 leilões/ano. Curitiba vem em segundo, em torno de 20 leilões/ano, seguida do Rio de Janeiro (10/12) e de Porto Alegre (8 ou 10).
Os preços são universais. Um bom potro ou uma égua clássica valem praticamente a mesma coisa, seja o leilão onde for. A rede de informações e de Malas Diretas montadas pelas diversas agências que operam estes leilões no País - algo em torno de 10 - alcança milhares de turfistas no Brasil todo e até no exterior. Num plano geral, a publicidade mais ou menos agressiva faz a diferença na média do evento, mas as atrações sempre são disputadas.
Paralelamente, uma miríade de negócios é realizado diretamente. Dados oficiosos calculam que mais de 15% do total que se movimenta em compras e vendas em leilões acontece de forma direta. É um mercado gigantesco, dado que que proporciona liquidez aos criadores e aos proprietários.
O caminho
As chances de se adquirir um animal num leilão e vir a revendê-lo depois com um saldo positivo são várias. Pode-se comprar uma reprodutora cujos filhos venham a correr e tornem-se clássicos. Pode-se comprar um potro que revele-se um campeão nas pistas. Pode-se comprar um potro pequeno (desmamado) cujo irmão mais velho comece a correr com destaque, o que valorizará o mais novo.
Em qualquer situação, o essencial é estar bem informado ou, até melhor, bem assessorado. O turfe, como qualquer atividade que envolve dinheiro, tem profissionais qualificados e confiáveis mas também tem gente desonesta e até má-intencionada. Como os profissionais no esporte geralmente são conhecedores profundos, é muito importante auxiliar-se com um deles.
Partindo daí, as chances de assistir seu cavalo vencer são grandes, e as de aliar às emoções um bom dividendo aumentam bastante.
Oportunidade
No próximo, a partir do meio-dia, um dos maiores proprietários do Paraná, José Carlos Loezer, vai vender em leilão todos os seus quase 40 animais. É o leilão do Stud Dona Linda, campeão das estatísticas em 1996/1997, quando seus cavalos ganharam mais de 50 corridas só em Curitiba.
Trazendo basicamente animais em treinamento, ou seja, cavalos que estão em plena campanha, correndo inclusive na semana do leilão, este tipo de evento é o mais indicado para quem quer entrar no turfe, pois oferece oportunidades de risco mínimo a preços muito convidativos.
O Cabecinha
Habitué das madrugadas no Hipódromo do Tarumã, o nosso companheiro Cabecinha sabe como poucos infiltrar-se nas rodas de chimarrão para trazer aos leitores da Folha as melhores indicações para as corridas. Vamos a mais uma rodada das suas disputadíssimas barbadinhas para as corridas de hoje:
1º PÁREO - Volta a tordilha ALTERNATIVA para a distância de 800 metros. Creio que neste tiro suas chances são evidentes.
2º PÁREO - Aqui indicarei uma ótima poule. Trata-se de outra tordilha, ALEGRIA NOSSA, cuja estréia foi bastante boa, especialmente em função dos prejuízos sofridos. A diferença é a parelha de baixo.
3º PÁREO - Vou insistir na CONDESSA ANNETTE. Nesta distância sua atropelada pode ser fatal.
5º PÁREO - A HOLANDE ROSE (que vai a leilão no dia 7) tem tudo para vencer de novo. É minha dica nesta prova.
8º PÁREO - Ao que parece, a dupla da semana do GP Paraná (FREIGHTLINER e JIFFY SELLER) deve decidir o clássico principal de hoje. Agora mais acanchado e com percurso menos desfavorável, JIFY SELLER em minha opinião vai à forra.
9º PÁREO - Reforçadíssima a chave do Stud Dona Linda. De todos, o melhor animal é BRITTISH RAIL (outro que será vendido dia 7). Leva meu voto. Boa sorte a todos.
Mário Sérgio S. Marquez é criador e proprietário de cavalos de corrida, e sócio-ouro do Jockey Club do Paraná.





