Na semana passada recebi um e-mail de um pecuarista do interior do Paraná, que pedia mais informações sobre o turfe. Este senhor me pareceu especialmente interessado no mercado de cavalos de corrida PSI (Puro-Sangue Inglês), ao que pude deduzir porque ele mesmo atua no setor, mas em outras raças de equinos. Outra mensagem eletrônica (fiquei espantado com a penetração do jornal) pede que eu explique alguns termos usados no jargão turfístico, e, novamente, informações sobre preços de cavalos. Antes de mais nada é preciso explicar que o cavalo de corridas vale em função dos prêmios que ele pode ganhar na pista. Quem regula o preço do Puro-Sangue (disparado o mercado mais quente da raça em qualquer país) é a dotação do páreo que ele vai correr. Trata-se de um sistema extremamente honesto.
Se no dia 15 de novembro próximo um potro vai disputar com grande chance uma corrida chamada Derby Paulista, cuja dotação deve chegar aos R$ 75 mil, é natural que este potro seja vendido no dia 10 de novembro por no mínimo uns R$ 100 mil? É o que o mercado espera no alazão Beautiful Dancer, no leilão dos herdeiros de Mathias Machline.
Valores
Toda a estrutura do mercado de cavalos existe em função dos prêmios que os Puros-Sangue podem disputar todo ano no Brasil - algo em torno de 50 milhões de dólares/ano. Hoje em dia já existem perspectivas reais de se vender cavalos brasileiros para o turfe americano (Joe Who, US$ 300 mil, Verinha, US$ 400 mil, etc) e europeu (Unkind, US$ 350 mil), e os cavalos nacionais têm feito bonito nas principais corridas sulamericanas, coisas que também ajudam a valorizar o nosso cavalo.
Os criadores brasileiros produzem em média 4 mil animais a cada ano, e, destes, acredita-se que por volta de 2 mil cheguem aos leilões de potros a cada temporada, que vai de abril a novembro. Na média histórica nacional, que envolve todos os resultados de leilões de potros dos últimos anos, o valor médio de um animal PSI com 2 anos de idade hípica é de US$ 10 mil.
Existe, por outro lado, uma grande diversidade de preços. Vi cavalos serem vendidos este ano aqui em Curitiba no Tattersall (local específico para leilões de cavalos de corrida) por R$ 50mil, e outros por apenas R$ 750. Há muita ‘‘democracia’’ no mercado, o que favorece a todos igualmente, pois nem sempre o mais caro será o melhor.
Exemplos
O maior cavalo de corridas nascido no Brasil em todos os tempos, o campeoníssimo internacional Much Better, nasceu, foi criado e vendido num leilão aqui em Curitiba por mais ou menos 10 mil dólares, em 1991. E é importante mencionar que este valor foi dividido em 12 parcelas mensais iguais, fixas, sem juros nem correção. Somados o que ele ganhou em prêmios e a sua cotação hoje como reprodutor, Much Better vale uns 3 milhões. Deixando de lado as inúmeras emoções proporcionadas por suas campanhas inesquecíveis (que, acreditem, não tem preço), foi ou não foi um investimento fabuloso?
Na próxima semana trarei mais informações sobre o tema.
Cabecinha
E chegou a hora de revelar aos amigos as ‘‘barbadinhas’’ para esta quarta-feira coletadas especialmente para a Folha pelo nosso misterioso companheiro, o ‘‘Cabecinha’’, que anda pelo hipódromo de madrugada, à caça das melhores informações.
1ª FIRME - Esta GLINT OF JOY me parece que corre mesmo. Vou insistir com ela agora no páreo de cima (2º).
2ª FIRME - ARCHAL pegou prova a jeito e acredito em seu prevalecimento no 8º páreo.
3ª FIRME - Agora vou de dupla: BLUE XENRY e THE FUGITIVE na 7ª carreira. Escolham a ordem.
A POULE - Escutei um ‘‘pio’’ sobre o estreante QUARTETO ROSÉ (3º), que aliás é um potro de físico espetacular. Pode ser na primeira...

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