Tudo depende do meio em que se vive, diz ex-atleta
Curitiba - Autor de 200 gols em suas contas e campeão do interior pelo Astorga, em 1956, Máximo Francisco dos Reis, 75 anos, jogou futebol nos campos de Curitiba e de diversas cidades das regiões de Londrina e do Centro-Sul e soube como poucos valorizar a sua passagem pelo futebol.
Segundo ele, havia muita discriminação em sua época de jogador, mas em muitos casos, ela era provocada por causa do meio no qual vivia o boleiro. O meio em que vivíamos era que determinava se a pessoa seria aceita ou não, era uma questão não só de cor, mas também social, pois todo mundo associava o jogador de futebol à malandragem, boêmia e alguns tentaram um caminho alternativo.
Pai de quatro filhos, todos com formação superior, Máximo chegou de São Francisco do Sul, no litoral catarinense para ser auxiliar de pinturas de carros. Minha família sempre foi humilde e quando cheguei comecei também a jogar pelo América, em Curitiba, e depois tive passagem por outros clubes não só daqui, lembra.
Máximo tenta puxar na memória alguns colegas de clube, como Julio Torres, Antoninho (Caramuru de Castro), Walter Sabão (Coritiba), entre outras dezenas, que, segundo ele, ajudaram a mudar um pouco a opinião das pessoas em relação aos negros no estado. Infelizmente nem todos conseguiram se firmar no futebol, muitos ficaram na miséria ou sem boas condições de vida, lamenta.
Para ele, tudo também esteve relacionado ao romantismo da época em que jogou (1951 a 1957). Hoje o futebol é negócio e os clubes estão nas mãos dos empresários que tentam lucro ou de políticos derrotados, afirmou. (J.C.L.)





