Cautela. Essa é a principal palavra ouvida nos corredores da sede administrativa do Londrina Esporte Clube, no VGD. E o motivo de tanta prudência vem do próprio ano de 2004: cometer o mínimo de erros possível.
Neste ano, mais de 60 jogadores passaram pelo clube. A maioria não se afirmava e era dispensada. Por isso, sem dar atenção às críticas, a nova diretoria adotou o máximo de cautela possível nas contratações.
''Temos que manter os pés no chão. Não podemos ir pelo impulso'', justificou o coordenador de futebol do clube, Sidiclei Menezes. O coro é engrossado pelo presidente Agostinho Miguel Garrote. ''A cautela está ligada à falta de dinheiro e a obrigação de não errar.''
Entre as medidas adotadas nesta nova postura estão os testes. ''Não vamos dar tiro no escuro'', reforçou Menezes. ''Chegam uns 50 faxes e recebo umas 50 ligações por dia de empresários oferencendo jogadores'', completou.
Na primeira etapa de testes seis jogadores foram liberados: os atacantes Luciel e Ednaldo, os volantes Márcio e Aroldo, o zagueiro Rafael Leite e o lateral-direito Flávio.
Diante da falta de dinheiro, a facilidade para cometer erros é ainda maior. Menezes sabe disso e dá a receita para superar as dificuldades. ''Tem que ter criatividade. Usar o conhecimento, as amizades, e apostar em jogadores jovens, principalmente das categorias de base'', comentou o ex-volante, que inicia a carreira de dirigente.
Acumulando várias funções apesar de ser o coordenador de futebol, faz tarefas de supervisor, e diretor se diz confiante na empreitada. ''No final vai dar tudo certo. Uma equipe competitiva para o paranaense, formando a base para a Série C. Temos que projetar o futuro'', disse, ressaltando a importância da retomada das categorias de base. ''O próprio Atlético Paranaense faz parcerias com jovens e não com velhos.''
E é apostando nas amizades que ele pretende reforçar o clube. Mas a demora em conseguir dinheiro, no entanto, pode afastar até mesmo os amigos. Mercados como o interior paulista e o emergente Rio Grande do Sul podem levar a maioria deles. Da lista inicial, com 25 nomes, sobraram 12. Se não houver um acerto esta semana, pode não sobrar ninguém. Os nomes mais cotados são o do volante Alexandre Dorta, que disputou a Série C pelo Ceará, do atacante Juari, autor do gol que deu o título do Torneio Rio-São Paulo de 97 ao Santos, e o zagueiro Ronaldo Marconatto, que ficou famoso ao levar um chapéu de Marcelinho Carioca, na Vila Belmiro, quando o ex-atacante do Corinthians marcou um gol e recebeu uma placa de Pelé.
O meia Carlos Alberto Dias, 35 anos, se ofereceu ao clube. O ex-jogador do Coritiba, Paraná Clube, Botafogo e seleção brasileira retornou do Japão e estaria disposto a defender o Tubarão por R$ 5 mil mensais. A proposta está sendo estudada. Ontem, o clube acertou a contratação do volante Jean, 30, que trabalhou com o técnico Itamar Bernardes no Paranavaí.

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