Até a metade da década de 50 o londrinense que quisesse assistir a um jogo de futebol profissional tinha que se deslocar até Rolândia, cidade mais próxima que possuía um time, o Nacional. Mas era preciso mudar essa história. E foi o que quatro londrinenses fizeram. Assim nasceu, das mãos de José Luciano de Andrade, Wallid Kauss, Pietro Caloni e Doan Alvares Gomes, no dia 5 de abril de 1956, o Londrina Futebol Clube.
O time foi crescendo e se tornou a principal força do interior do Paraná. Em 59, foi campeão da Zona Norte e foi para a final do Paranaense contra o Coritiba, mas acabou perdendo o título.
No ano seguinte, o Londrina Futebol Clube passou a se chamar Londrina Futebol e Regatas. ''Para o governador Moisés Lupion doar a área para se construir a sede campestre havia a exigência que o clube tivesse outros esportes além do futebol e por isso mudou o nome. O terreno só foi doado na gestão do governador Ney Braga'', revela o jornalista e radialista José Mateus de Lima, o J. Mateus, 56 anos, que escreveu um livro sobre a história do Londrina.
Três anos após a final com o Coritiba a história se repetiu, mas os papéis se inverteram. O Londrina, que tinha no elenco nomes como Chinezinho, Gauchinho e Paulo Vecchio, foi ao Estádio Belfort Duarte, o atual Couto Pereira, e goleou o Coxa por 4 a 2 no jogo decisivo, garantindo o primeiro título do alviceleste. ''Uma multidão recepcionou os jogadores no aeroporto na volta de Curitiba. Eles desfilaram na Avenida Paraná. Foi uma festa muito bonita'', relembra Mateus.
Neste campeonato começou a despontar a estrela de Antero Bombassaro, o Gauchinho, 65 anos, que depois se tornaria o maior jogador da história do clube. ''O Londrina foi tudo na minha carreira. Foi aqui que me destaquei e joguei quase toda a minha carreira'', afirma o ídolo.
Depois de um período de crise, Londrina e Paraná, o outro clube da cidade, se uniram e deram origem ao Londrina Esporte Clube (LEC), que por quase dois anos usou uniformes vermelhos com estrelas brancas no distintivo, como a bandeira da cidade. Em 72 o azul voltou a reinar.
A mudança foi benéfica e o time voltou a ser respeitado e a conseguir os resultados expressivos. O ex-presidente Fernando Augusto Romão iniciou uma campanha em 74 para incluir o Londrina no Brasileirão. Em 76 o sonho se tornou realidade. Naquele ano também as expressivas vitórias em cima dos grandes da Capital renderam ao alviceleste o apelido de Tubarão, inspirado no filme de Steven Spielberg.
Mas foi no ano seguinte que o time brilhou no torneio nacional. Com grandes jogadores no elenco, como Brandão e Carlos Alberto Garcia, segundo maior ídolo da torcida londrinense, o time ficou em quarto lugar no Brasileiro, sendo parado apenas na seminifnal, pelo Atlético Mineiro. ''Os times de 76 e de 77 foram os melhores, mas infelizmente não conquistaram os títulos'', avalia Mateus.
Em 80 o Tubarão entrou para a história do futebol brasileiro. O time do Norte Paranaense conquistou a Taça de Prata, a segunda divisão do Brasileiro, num 4 a 0 sobre o CSA, de Maceió, no primeiro ano da competição.
No ano seguinte, em um ''Clássico do Café'', o Londrina conquistou o bi no estadual, vencendo o maior rival, o Grêmio Maringá, por 3 a 2 no primeiro jogo e 2 a 1 no segundo, sempre sobre o comando de Garcia, que marcou 86 gols com a camisa do Londrina, ficando atrás apenas de Gauchinho (303) e Alaor (120).
Em 92 foi a vez do segundo maior rival ser engolido em uma final de Paranaense. O Tubarão abocanhou o União Bandeirante e ficou com o terceiro título paranaense. Nos dois anos seguintes o time alviceleste voltou a fazer as finais, mas perdeu as duas para o Paraná.
Em 96 e em 98, o Tubarão ficou entre os quatro melhores da Série B. Mas também em 98 o time deu um vexame no Estadual e acabou sendo rebaixado para a Segundona, onde ficou apenas um ano.
No Paranaense deste ano, a equipe ficou na terceira colocação, ganhando a vaga na Copa do Brasil de 2004. Com o resultado, a fanática torcida pensou: ''Agora o time sobe para a Série A do Brasileirão''. Mas não foi bem assim. Alternando bons e maus momentos durante a Série B, o Tubarão acabou a competição na 10 posição.
Para o ídolo Gauchinho, houve uma evolução na época de Carlos Alberto Garcia e Brandão, mas, segundo ele, as dificuldades financeiras impossibilitaram a formação de outros times como aqueles. ''Nesse período depois do Garcia não houve evolução e sim decadência'', resume Gauchinho.
Ele dá a receita para o Tubarão voltar a conquistar títulos. ''Na minha época o clube mantinha a regularidade porque contratava bons jogadores e eles ficavam aqui por dois ou três anos, com a condição de você se conhecer melhor dentro de campo. Hoje é diferente, você disputa um campeonato e não consegue manter o mesmo elenco para o ano seguinte. Aí tem que começar tudo de novo'', afirma. (T.M.)

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