TRT analisa dissídio de jogadores
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de abril de 1998
Agência Folha 
O primeiro dissídio coletivo da história do futebol brasileiro, que deveria ter sido julgado em 9 de fevereiro, mas acabou sendo adiado para o mês de abril, está na pauta de hoje dos julgamentos a serem realizados pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região.
Antes de entrar com o pedido de dissídio, o Sindicato dos Atletas Profissionais passou aproximadamente dois anos negociando com o Sindicato dos Clubes Esportivos do Estado de São Paulo, o Sindiclubes. Os dois sindicatos, no entanto, apesar das inúmeras reuniões realizadas, não conseguiram chegar a um acordo.
Ao formular o pedido de dissídio, os dois principais objetivos do Sindicato dos Atletas eram conseguir um piso salarial para a categoria e estabelecer um seguro contra acidentes para os jogadores.
Uma das nove reivindicações mantidas pelo Sapesp foi a do piso salarial de oito salários mínimos. Com o mínimo subindo para R$ 130, o valor atinge R$ 1.040. Em novembro, no entanto, o Sindicato dos Atletas veio a público declarar que o acordo fracassara.
De acordo com Rinaldo Martorelli, ex-goleiro do Palmeiras e presidente do Sapesp, os dois clubes que mais dificuldades colocaram ao acerto foram o Palmeiras e o Corinthians.
O São Paulo, por sua vez, teria se mostrado mais disposto a continuar negociando, evitando levar o caso para o julgamento do TRT. Além do pedido do piso de oito salários mínimos, o Sapesp luta para proteger os direitos dos atletas, assegurando a aprovação de cláusulas de caráter assistencial.
Uma das exigências do Sindicato dos Atletas é o poder de vetar gramados que não estiverem em condição considerada satisfatória e a estádios que não sejam considerados seguros. O Sapesp defende também o seguro contra acidentes profissionais e convênio médico e odontológico por 45 dias depois de terminado o contrato do jogador com o clube.
Um dos objetivos de Rinaldo Martorelli é proteger os jogadores desempregados. Para tanto, o presidente do Sapesp diz ser a favor de destinar 0,5% da venda dos direitos de TV para atletas que estejam desempregados.


