De ameaçado de demissão a novo técnico do Londrina. A condição em que o até então supervisor do clube, Antonio Nunes, o Lico, assumiu o cargo de treinador fez com que a demissão de Caio Júnior virasse um jogo de acusações entre os dois com a participação também do diretor de futebol José Eduardo Massariol.
Caio foi demitido domingo, dois dias depois de ter sofrido a terceira derrota seguida em quatro jogos à frente do time 1 a 0 para o América-MG. A demissão se baseou em um relatório feito por Massariol durante a viagem a Belo Horizonte. A saída do treinador deu sobrevida a Lico, que deveria deixar o clube ontem porque, segundo integrantes da diretoria, não foi feliz em algumas contratações.
Tudo isso fez com que Caio Júnior se sentisse traído pelos dois. ''Foi traiçoeiro e antiético. Arquitetaram tudo em Belo Horizonte sem eu saber de nada. Poderia ser uma questão mais aberta, através do diálogo. Treinador sempre comete erros, mas não vejo nenhum grande erro. Usei o que tinha de melhor no elenco'', acusou o ex-técnico.
''Não mandei ele embora sozinho. Foi a diretoria toda. Não tenho nada contra ele. Não posso fazer nada se ele só conhece o Estado do Paraná'', ironizou Massariol. ''O Caio era supervisor do Paraná Clube, o treinador saiu e ele assumiu o cargo da mesma forma que eu. Ele mesmo se afastou, os resultados não vieram'', rebateu Lico.
De acordo com o ex-técnico, a justificativa do novo treinador está equivocada. ''Não fui supervisor do Paraná e sim do Coritiba. Quando o Ivo (Wortman, técnico) foi para o Cruzeiro, eu o acompanhei como auxiliar e nunca assumi o cargo no lugar dele'', explicou.
O diretor de futebol, que elaborou o relátorio decisivo para a demissão de Caio Júnior, não quis revelar o que continha o documento. ''Ele saiu por causa dos resultados. O Oswaldo de Oliveira não foi mandado embora do Corinthians, também?'', desconversou Massariol. Mas ele confirmou que entre os itens estava o problema de relacionamento entre técnico e jogadores e a falta de comando. ''Eu acho esse relatório um absurdo. Estava no caminho de controlar o grupo. Quando cheguei, não havia união e tinha muito individualismo. A lista de afastados pode ter gerado um pouco de descontentamento, talvez'', disse Caio.
O trabalho do ex-treinador já não vinha agradando há algum tempo. A diretoria achava que ele teria que ser mais enérgico durante as preleções, não gostava das escalações e substituições e queria resultados rápidos. O afastamento de sete jogadores, entre eles o atacante Cézar, autor de dois dos três gols da equipe na Série B do Campeonato Brasileiro, na semana passada, também pesou. ''Estávamos descontentes com a parte técnica e também com o afastamento dos jogadores. Ele foi antiético em não me consultar sobre as dispensas, nem falar com o Eduardo (Massariol)'', disparou Lico.

mockup