Depois de ter sido dispensado por Eddie Jordan, no fim de 1996, Rubens Barrichello estava no fundo do poço. Ele perdera a autoconfiança, conforme explicou, e o personagem satírico ‘‘Rubinho Pé-de-chinelo’’ traduzia com perfeição o que a torcida brasileira pensava dele. A única alternativa real que possuía para permanecer na F-1 era aventurar-se na estreante Stewart Grand Prix.
O mais difícil para Rubinho, na F-1, foi acostumar-se à idéia de disputar o Mundial e não vencer corridas, o que ele sempre fez em toda a carreira até atingir a Fórmula 3000, um ano antes de estrear na F-1. Sua trajetória nas pistas é marcada por conquistas e recordes. No kart colecionou títulos paulistas, brasileiros e um sul-americano. Na sua primeira temporada na Europa, em 1990, Rubinho tinha, quando desembarcou na Itália, 17 anos. Viajou para disputar o Campeonato Europeu de Fórmula Opel, pela equipe Draco.
Morando na casa do proprietário da equipe, em Florença, Rubinho aprendeu italiano e o bom gosto por comidas. ‘‘Se eu não me cuido engordo mesmo’’, afirma até hoje. Na na sua estréia na Europa, ele superou as carências de um menino de 17 anos longe de casa, o desconhecimento do carro, dos circuitos, e tornou-se campeão da F-Opel, com recorde de vitórias. No ano seguinte foi correr na Inglaterra, na sempre difícil Fórmula 3. O time escolhido foi o mesmo de Ayrton Senna, em 1983, para ser campeão: a West Surrey Racing.
De novo, bastante jovem ainda, 18 anos, morando sozinho, e sem experiência na F-3 e nos traçados ingleses, conquistou o título, depois de superar David Coulthard. A partir daí sua carreira mudou. Na Fórmula 3000, em 1992, optou por competir em um time decadente, Il Barone Rampante, e apesar de terminar em terceiro o campeonato, não venceu nenhuma etapa.
Começou a se desenhar nessa época o estigma de piloto técnico, de poucos erros, por vezes chorão, mas nem sempre arrojado. Mesmo assim o irlandês Eddie Jordan enxergou nele um piloto talentoso e o aceitou na Jordan, em 1993, com o patrocínio da Arisco. Rubinho disputou quatro temporadas pela Jordan, 64 GPs, e três na Stewart, 49 GPs, antes de passar a guiar um carro vencedor, o da Ferrari, este ano. Na ‘‘Scuderia di Maranello’’ necessitou de 11 corridas até vencer.

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