Três paranaenses, dois de nascimento e um de coração, não dormem direito desde segunda-feira. Tudo por causa de um baixinho de 1m68, que hoje à noite pode entrar de vez para o rol dos gigantes do futebol. Também, não era para menos. O trio pode ter papel principal na caminhada de Romário em busca de seu milésimo gol.
O árbitro Evandro Rogério Roman e os auxiliares Roberto Braatz e Gilson Bento Coutinho comandarão o jogo entre Vasco e Gama, hoje à noite, pela Copa do Brasil, que foi transferido de São Januário para o Maracanã a pedido do ''Peixe''. Um erro deles pode ajudar ou impedir que Romário, enfim, balance pela milésima vez as redes rivais.
''Até sonhei com a manchete do jornal: primeiro o goleiro do Flamengo, depois o do Botafogo e agora o Braatz evitaram o gol mil'', disse Roberto Braatz, reproduzindo as brincadeiras feitas em sua cidade, Marechal Cândido Rondon. ''Falando sério agora, é uma marca ruim, que ninguém quer ter''.
Já Roman, viajou 38 anos no tempo para responder. ''Em 19 de novembro de 1969, quando o Pelé fez o milésimo gol, a imprensa ficou dividida se foi ou não pênalti. Já errei tanto e acertei tanto também que dá mais tranquilidade para apitarmos. Errando ou acertando, daremos nosso máximo, entrando em campo de alma limpa'', afirmou Roman.
Ontem à tarde, no aeroporto de Foz do Iguaçu, prestes a embarcar para o Rio de Janeiro, os dois não escondiam a ansiedade de poderem entrar para a história. ''Conversávamos sobre isso agora. É uma situação diferente, em que temos que pedir a proteção dos deuses do futebol'', disse o árbitro. ''Nós acabamos entrando na ansiedade da mída. É o mundo todo acompanhando. Até rádios de Londres já nos ligaram. Podemos participar da história do Romário e do futebol'', completou Braatz.
O outro auxiliar, o londrinense Gilson Bento Coutinho, se disse ansioso também. ''Para mim, sempre o próximo jogo é o mais importante e esse é o próximo. Queremos ir lá e fazer um excelente trabalho'', afirmou.
Gaúcho de Erval Grande, mas criado em Céu Azul (51 km a oeste de Cascavel), Roman já avisou que vai deixar rolar a festa do Baixinho caso ele ultrapasse os 999 gols. ''Se ocorrer o gol, muda totalmente a cena. Vou conversar com o policiamento e com o Romário antes do jogo para traçar metas. Tenho que ter bom senso. Não é todo dia que alguém faz mil gols. Além disso, não tenho o que fazer. Não tenho como evitar as invasões'', projetou.
O entrosamento entre o trio é a arma deles para não entrarem para a história de Romário como vilões. ''Já trabalhei em mais de 200 jogos com o Braatz e em mais de 150 com o Gilson. Vai correr tudo bem'', concluiu Roman.

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