Trintões querem encerrar uma década de sonhos
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sábado, 13 de maio de 2006
Jan Marchal<br>France Presse 
Praga - Um grupo de jogadores ''trintões'', isto é, com idade média de 30 anos, toda uma geração premiada na Europa, espera terminar na Alemanha uma década de sonhos, já que a Copa do Mundo poderá ser o fim de um ciclo para uma equipe que tem como símbolos Pavel Nedved, Karel Poborsky e Vladimir Smicer.
''Iremos à Alemanha para ganhar, porque do contrário não teria sentido'', disse Poborsky, 34 anos. Ele é o jogador que mais atuou em toda história da seleção tcheca, com 112 partidas. Para Poborsky, como para muitos de seus companheiros da seleção, a Copa do Mundo da Alemanha oferece uma última oportunidade de alcançar um resultado histórico.
Esta geração literalmente se consagrou durante a Eurocopa de 1996 na Inglaterra. Ainda eram poucos conhecidos até esse momento, mas os tchecos se tornaram na sensação do torneio ao chegar à final, para cair diante da Alemanha por 2 a 1.
Com a mesma base de 1996, porém com a ajuda de talentos mais jovens, como o goleiro Petr Cech, o meia Tomas Rosicky ou o atacante Baros, a seleção tcheca voltou a ter um brilhante desempenho na Eurocopa de 2004 em Portugal, sendo eliminada na semifinal pela campeã Grécia (1 a 0).
Para Zdenek Nehoda, campeão da Europa em 1976, a situação atual da seleção é clara: ''É evidente que a próxima renovação de geração corre o risco de se transformar em um retrocesso, e até é possível que não nos leve à Eurocopa de 2008''.
O ex-jogador com passagens pelo Dulka de Praga, pelo Grenoble e pelo Standard Liège não esconde sua frustração ao lembrar a Copa de 1982. A então seleção da Tchecoslováquia chegou a este Mundial com um sólido prestígio, já que tinha sido campeã da Europa em 1976 e terceira colocada em 1980, mas foi eliminada na primeira fase de um grupo que tinha Kuwait, Inglaterra e França. Os tchecoslovacos marcaram apenas dois gols, ambos de pênalti.
''Eu espero que a equipe atual tenha um desempenho melhor que o que tivemos em 1982. Teve circunstâncias desfavoráveis, como contusões de vários jogadores'', recordou Nehoda, que defendeu a seleção nacional em 90 jogos, entre 1971 e 1987.
Este ano, entanto, a enfermaria tcheca voltou a ficar repleta antes da Copa do Mundo, e os últimos visitantes do departamento médico foram os atacantes Jan Koller, Vratislav Lokvenc e Baros, os volantes Tomas Galasek e Smicer e os defensores Zdenek Grygera e Marek Jankulovski.
Outro ex-jogador tcheco, Ladislav Vizek (sogro do atacante Smicer), também traçou um paralelo com a Copa do Mundo de 1982, ao alertar sobre a maneira como está sendo feita a renovação do elenco. ''Um profundo retrocesso então foi sentido e a seleção teve que ser reconstruída quase em sua totalidade. Parece-me que um poço semelhante poderá aparecer com a saída de atletas fundamentais ao selecionado atual'', disse.
No entanto, Vizek lembrou que existe uma importante diferença entre a equipe de 1982 e a atual. ''Naquela época, os jogadores foram substituídos por jovens que atuavam no campeonato local, sem uma experiência internacional importante. Mas agora, há jovens de longa experiência em clubes europeus de primeiro nível, como Rosicky, Cech, Plasil ou Rosenhal'', assinalou.
O porta-voz da seleção, Lukas Tucek, afirmou que o técnico da equipe, Karel Bruckner, ''convoca sempre os melhores jogadores, sem se preocupar com suas idades'', deixando claro que o possível fim de um ciclo para uma brilhante geração não afeta o plantel.


