Trieste, um amador com espírito e estrutura de time grande
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quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Dimas Rodrigues<br>Equipe da Folha 
Futebol amador é lugar para o bom peladeiro, ex-jogadores ou para aqueles que passaram por times profissionais e não brilharam. Os jogos, normalmente, são disputados em gramados esburacados e estádios precários. Há bem pouco tempo, esse era o cenário típico da Suburbana, campeonato de futebol amador de Curitiba.
No entanto, há três anos, o Trieste, um dos clubes amadoras mais tradicionais da Suburbana e do Paraná e recordista de títulos, quebrou a regra e mostrou que também há profissionalismo no amador. O clube, fundado por imigrantes italianos em 1937, mostra-se com uma nova cara aos 71 anos. E um visual dos mais arrojados.
Em 2005, o time recebeu um investimento de aproximadamente R$ 8 milhões da empresa Stival Alimentos e construiu uma infra-estrutura de grandes clubes profissionais. Em uma área de 60 mil metros quadrados, o clube remodelou a sede, ampliou o estádio, construiu alojamentos para jogadores das categorias de base, duas canchas de futebol sintético, uma de salão, uma academia moderna que inclui piscinas aquecidas e até um bar temático.
O ambiente é funcional e além de servir aos atletas também está aberto ao público. Em contrapartida, o patrocinador explora a marca Trieste, o bar temático por 20 anos e partilha os lucros na negociação dos atletas formados no clube. ''O Trieste também tem participação, mas a maior parte fica com o patrocinador. Mas isso tudo não veio assim de uma hora para outra. Em 92, criamos um estatuto que permitiria essa modernização e só agora conseguimos esse contrato'', diz Jaziel Baioni, presidente do clube.
E essa parceria, apesar de nova, já rende frutos. O time de juniores do Trieste, na categoria amador, não teve adversários no último Campeonato Metropolitano, vencendo os 21 jogos. Todos de goleada. E mais. Quase um time de garotos criados no clube já foi negociado com times da primeira divisão do futebol brasileiro.
O goleiro Alexsander, 17 anos, defende o Grêmio. Outro camisa 1, Roberto, 18 anos, passou pelo Goiás e hoje está nas categorias de base do Atlético Paranaense. No CT do Caju também estão o meia Willian, 18 anos, e o zagueiro André, 19. Ambos estão participando de uma excursão do Furacão com o time Sub-23 no Oriente Médio. ''Eles já conseguiram se profissionalizar nos clubes. Para nós é uma grande satisfação'', disse Mauro Martorelli, coordenador de futebol do clube.
Não será estranho se, em dez anos, os moradores de Santa Felicidade e admiradores do Trieste não mais torcerem para o time ganhar do rival Iguaçu, na Suburbana, mas sim comemorar títulos em duelos contra Coritiba, Atlético e Paraná Clube. ''Quem sabe um dia'', vislumbra o presidente.


