São Paulo - O tribunal de apelação da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) ouviu ontem a defesa do inglês Lewis Hamilton, da McLaren, e decidirá hoje se mantém ou não a punição aplicada ao piloto no GP da Bélgica de F-1, disputado no último dia 7.
Horas depois daquela corrida, Hamilton foi punido com um acréscimo de 25 segundos em seu tempo final. Os comissários consideraram que o inglês cortou a chicane em uma disputa com o finlandês Kimi Raikkonen - que abandonou a corrida - nas voltas finais. O piloto, que havia conquistado a vitória, caiu para a terceira posição com a penalização.
Com isso, Massa herdou a vitória, e diminuiu a vantagem que seria de oito pontos no campeonato para apenas dois (76 para o inglês, contra 74 do brasileiro). Após o GP da Itália, no qual o brasileiro ficou em sexto e o britânico em sétimo, a vantagem de Hamilton caiu para um ponto (78 a 77).
Inconformada com a decisão dos comissários, a McLaren apelou contra a punição. Hoje, o tribunal da FIA anunciará o veredicto.
O julgamento
Nas primeiras horas, o júri se concentrou em determinar se a apelação da McLaren era válida. O advogado da escuderia de Ron Dennis justificou que Hamilton não ganhou vantagem ao cortar a chicane por ter devolvido a posição.
O tribunal também escutou uma gravação de rádio entre o diretor esportivo da McLaren, Dave Ryan, e o diretor de prova, Charlie Whiting. Na conversa, durante a prova belga, Ryan pergunta a Whiting se a ação de Hamilton foi correta. ''Sim, creio que foi correta'', responde Whiting na gravação.
Já Hamilton explicou que precisou cortar a chicane para não bater em Raikkonen. ''Quando a pista está molhada e você está no final da corrida, a última coisa que você quer fazer é sofrer uma acidente. Você não precisa assumir riscos tolos'', argumentou. ''Eu sei que a equipe estava falando com o Charlie (Whiting). Eu teria devolvido a liderança (a Raikkonen) se tivessem me falado para fazer isso'', continuou o inglês. ''Eu iria ultrapassá-lo de qualquer jeito.''
Whiting disse que deu uma opinião errada à McLaren porque havia visto o incidente apenas uma vez. ''Ficou claro para mim, após analisar de forma mais detalhada, que a vantagem não foi devolvida'', relatou o diretor de prova. ''Se ele (Hamilton) tivesse ficado na pista, ele não estaria em uma posição para atacar já na próxima curva, tão perto de Kimi'', completou Whiting.
Após o julgamento, Hamilton declarou aos repórteres que não está preocupado e disse que espera que o júri enxergue a ''verdade'' sobre o incidente.
Ferrari
Enquanto a maioria das equipes da Fórmula se preparou para o Grande Prêmio de Cingapura nos testes coletivos de Jerez de la Frontera, a Ferrari foi à sua pista particular, em Mugello, e deixou Felipe Massa satisfeito. Para o brasileiro, os trabalhos levaram a equipe a superar os problemas com os pneus que vinham sendo conhecidos em temperaturas baixas.
Dona de um rendimento inferior ao da McLaren nas corridas sobre pista molhada, casos das etapas de Bélgica, Itália e Hungria, a Ferrari aproveitou com primazia o fato de Mugello estar chuvosa, conforme assegura Massa, para melhorar o rendimento do F2008 com os compostos.
''Para correr nessas condições (de chuva) os testes ajudaram muito'', afirmou o brasileiro em entrevista ao diário italiano La Gazzetta dello Sport. ''É claro que prefiro que esteja seco em Cingapura, mas podemos ir bem e realizar uma corrida consistente também no molhado''.

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