Tribo festeja atuação de filho ilustre
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de dezembro de 1998
Agência Estado 
Quando José Sátiro do Nascimento, ou simplesmente Índio, está em campo com a camisa do Corinthians, a tribo Xucurucariri, no interior baiano, fica em festa. As mais de 70 famílias reúnem-se em torno de um único aparelho de televisão para adorar o mais ilustre e conhecido representante da tribo. Foi assim na vitória corintiana por 2 a 0 sobre o Santos, domingo, no Pacaembu. Para celebrar, os índios fizeram o toré, uma dança típica.
Índio não esconde a satisfação. A um empate da final do Campeonato Brasileiro, o atleta praticamente ganhou a vaga de titular da lateral-direita. Rodrigo está recuperado de uma contusão, já tem condições de jogar, mas pode ficar apenas no banco de reservas. Ele (Rodrigo) não fez nenhum coletivo ainda, está parado há cerca de 30 dias e talvez seja arriscado colocá-lo em campo em uma partida decisiva, explica o técnico Wanderley Luxemburgo.
Quando Rodrigo sofreu a contusão, Índio era apenas uma terceira e última opção para o setor. Márcio Costa, o primeiro substituto, não agradou e Vampeta, o segundo, não podia deixar a importante função no meio-de-campo. Foi a chance de Índio, que jogou a terceira partida contra o Grêmio pelas quartas-de-final e as últimas duas contra o Santos.
Amadureci muito e estou ganhando a confiança de todos, comenta Índio, de 19 anos e muita timidez. Os jogadores descobriram o Índio, conta Luxemburgo. Contra o Grêmio, poucos passavam a bola para o atleta e as jogadas pelas laterais ficavam concentradas nos pés de Silvinho. Hoje, a situação mudou. Índio vai ao ataque, faz tabelas com Marcelinho Carioca, dribla os adversários e ganha aplausos dos torcedores. É uma alegria muito grande para mim receber este apoio da torcida.
Índio, que, na época de Vitória-BA, sofria piadas racistas em campo, está feliz em São Paulo. Mora em um alojamento no Parque São Jorge e, de certa forma, já sucumbiu às tecnologias do homem branco. Ele anda pelo clube ouvindo CDs em um discman.
Índio também faz escola. De sua tribo para São Paulo, veio o primo Jânio Ferreira, de 17 anos, atacante da categoria júnior da Paraguaçuense (SP).
Para o terceiro jogo contra o Santos, amanhã, no Pacaembu, Luxemburgo quer evitar uma empolgação antes da hora. Para ele, não existe favoritismo do Corinthians. Quando o Santos venceu a primeira partida, muitos falaram que o time estava praticamente classificado e tudo mudou agora, comentou. O treinador também pede para a torcida não fazer festa ainda.


