Eles são londrinenses com uma dupla jornada: durante o dia, trabalham e enfrentam a rotina comum da cidade. À noite, se transformam em triatletas aficcionados pelo esporte e treinam na busca de superar os próprios limites. Todo esse empenho será colocado à prova hoje, a partir das 8h, quando 14 atletas de Londrina participam do Triatlon Long Distance da Força Áerea de Pirassununga, no interior de São Paulo.
Os competidores têm pela frente 1,9 km de natação, 90 km de ciclismo e 21 km de corrida, numa competição que pode atingir sete horas de duração. Ontem, mais seis atletas da cidade competiram pelo Short Distance no mesmo local, que consiste em 900 metros de nado, 22,5 km de pedal e 7 km correndo.
Para andar no pelotão de frente dos cerca de 750 atletas amadores inscritos no Long Distance, suar nos treinos não basta, é preciso empenho total. Há meses os londrinenses passam por uma maratona de treinamentos com média de duas horas diárias, que chegou a cinco horas nos finais de semana. ''Realizamos alguns simulados (de provas) e só nas últimas semanas que diminuímos a intensidade dos treinos. Esperamos que todos os nossos atletas conquistem pódio nas diferentes categorias'', certifica o competidor e treinador Diego Duarte, que completou as duas últimas edições do Ironman Brasil.
Além de participar da prova, Duarte terá a missão de acompanhar dez atletas de sua equipe no decorrer do percurso. O treinador, de 27 anos, salienta a importância de motivar seus comandados. ''Incentivá-los é fundamental. A parte mais crítica do Long é a corrida, pois enfrentaremos o sol do meio-dia. Apesar da previsão de chuva, o tempo deve estar bem quente e abafado'', comenta o treinador.
Adversidades que não desanimam os londrinenses. Segundo Diego, apesar das provas de triatlon geralmente não terem boas premiações e serem extremamente difíceis de completar, o esporte funciona como uma ''válvula de escape'' para a correria do dia a dia do pessoal. ''Muitos chegam pilhados do trabalho e extravasam nos treinos. Competir e bater as próprias marcas acabam se tornando um prazer naturalmente'', explica o triatleta, que leva para Pirassanunga atletas dos 19 aos 46 anos.
O advogado Gustavo Reiche, de 25 anos, pratica a modalidade desde novembro de 2008 e só este ano já participou de 14 provas. A competição de Pirassununga é o seu primeiro desafio de longa duração. ''A sensação de terminar o Long vai ser muito gratificante. Nunca imaginei que poderia fazer o que faço hoje. Realmente peguei gosto pelo esporte'', retrata Reiche, que investiu em treinamentos, suplementação e equipamentos novos para melhorar seu desempenho.
Investimentos que são habituais para quem pratica a modalidade. O treinador Diego ressalta que só em inscrições para competições e viagens, os gastos podem chegar a R$ 8 mil por ano, dependendo do calendário de cada um. ''Isso sem contarmos a aquisição de bicicletas, tênis novos, alimentação e suplementação, além da própria estrutura dos treinamentos. Um empenho físico e financeiro que tem como único objetivo o de cruzar a linha de chegada'', completa.

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