Foi se o tempo em que correr, pedalar e nadar era apenas coisa para gente grande. Com um fôlego de dar inveja a qualquer atleta, uma turminha de miniatletas de Londrina deixou as modalidades mais tradicionais para trás e está provando que criança também pode praticar um dos esportes que mais exigem do condicionamento físico: o triatlo.
Criada no final da década de 70, a modalidade que une corrida, ciclismo e natação, sempre se caracterizou como um esporte genuinamente adulto, muito por conta do alto nível de esforço exigido. Mas nos últimos anos, as crianças vêm quebrando este paradigma. Até competições específicas para os baixinhos já foram criadas.
O projeto Triatlo Infantil, implantado há 10 meses na academia Forma D' Água, em Londrina, já possui uma turminha de quase 30 minitriatletas de sete a 16 anos que integram esta nova geração do esporte. ''Eles fazem parte desta primeira leva de triatletas 'puros''', ressalta o técnico da equipe, Cosme Monteiro, que também é triatleta e tem em seu currículo três convocações para a seleção brasileira.
Segundo Monteiro, este é um caso raro na história do triatlo, pois a grande maioria dos praticantes vem de uma das três modalidades que integram o esporte: natação, ciclismo ou corrida.
Na hora dos treinos, nada de longas distâncias em cima da bicicleta ou percorrer quilômetros à beira da estrada. Monteiro conta ter uma metodologia toda especial para não lesionar os pequenos atletas ou deixá-los 'estressados'. ''Não há como fazer volume com eles. Nestes casos é o tamanho das cargas de volume e intensidade que vai fazer a diferença entre o ganho e a estagnação. Por isso, procuro sempre utilizar brincadeiras durante os treinos para estimulá-los. Cobrança maior mesmo só nas aulas específicas de movimentos'', explica o professor.
Por outro lado, nem tudo é moleza. Nas competições, a turminha já tem que percorrer distâncias que assustariam alguns adultos, com 200 metros de natação, dois quilômetros para corrida e sete no ciclismo. A rotina de treinos também não é fácil e inclui de duas a três atividades semanais.
Os benefícios de começar precocemente vão muito além do preparo físico, segundo o treinador. ''O que a gente nota é uma melhora da autoestima, além do desenvolvimento motor e psicológico, já que eles são sempre incentivados a superar seus limites'', observou Monteiro. Outro ponto a ser ressaltado é a vitória sobre o computador e os videogames. ''É importante despertar o interesse das crianças para a prática da atividade física'', completou Tiago Ogava, administrador da academia e parceiro de Monteiro no comando do projeto.

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