Paulo Briguet
De tão parecidas, achei que eram miragem. As três moças loiras estavam lá. Com os olhos atentos ao gramado, foram até onde o esquema de segurança permitia. Ficaram ao lado do portão que dá acesso ao campo. O trio manteve prontidão no lugar até o fim do treino da Seleção. Elas pareciam acompanhar cada passo dos atletas de uniforme azul.
Qual seria o motivo da fixação nacional pelas mulheres de cabelo dourado? Um sociólogo (ou antropólogo) ofereceria explicações variadas, que iriam das musas do cinema aos símbolos de ascensão social. Os especialistas (sempre eles) tentariam desvendar fenômenos variados: admiração, preconceito, endeusamento, fantasias, piadas, marchas de Carnaval, letras de pagode, É o Tchan, ‘‘Ronaldinhas’’. (Este último, caso complicado para os juristas: apropriação indébita de nome.)
A ciência do tingimento de cabelos me é estranha. Não conheço os processos químicos que levam à oxigenação capilar. Não sou perito em discernir loiras ‘‘verdadeiras’’ (até Marilyn Monroe era ‘‘falsa’’!). Portanto, não arriscaria dizer se aquelas três moças, certo dia, pintaram os cabelos. Mas, em caso positivo, exerceram um direito inalienável e sagrado. Foram donas do próprio nariz e do próprio couro cabeludo.
O trio estava ao lado do portão do campo, onde os seguranças impedem a entrada do público. Um engraçadinho passou por elas e não fugiu à tentação de dizer:
- Olha lá as Ronaldinhas.
Condeno essa brincadeira de mau gosto. É melhor deixar o trio de loiras sem generalizações ou rótulos. Elas apenas estavam lá, como todos que pagaram ingresso para ver a Seleção Brasileira treinando no Estádio do ABC. Três loiras vestidas de preto, com penteados iguais, ânimos iguais, a vinte metros do gramado. Esqueçam a sociologia, a antropologia, os preconceitos, as malícias, as explicações. Eram apenas três moças loiras, orbitando sobre o planeta futebol. Melhor deixá-las em paz.

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