O Brasil conquistou domingo, em Poços de Caldas, Minas Gerais, o título do Campeonato Pan-Americano de Handebol Feminino. ‘‘Foi um título que estávamos tentando há praticamente 16 anos e só agora conseguimos’’, disse a jogadora Soraya, que defende o Grêmio Londrinense/Ametur e que já foi convocada para a seleção brasileira várias vezes.
Soraya chegou terça-feira à noite com as companheiras Cristina e Alitéia, também do Grêmio Londrinense, e foram as únicas paranaenses a defender o Brasil na importante conquista. A jogadora disse que em outras vezes a seleção estava forte, mas ‘‘a experiência e coesão desse grupo pesou muito na hora de enfrentar as canadenses, que sempre são apontadas como favoritas’’. O Brasil, que foi treinado por Digenal Cerqueira, hoje orientando a seleção de Medianeira, visando os Jogos Abertos do Paraná em Guarapuava, realizou uma grande fase de preparação, antes de chegar a Poços de Caldas para brigar pelo título. ‘‘Foi um prêmio pelo nosso esforço, que ficamos muitos dias à disposição do treinador em dois períodos de treinamentos. Mas no final realmente a nossa vitória compensou tudo’’, disse a goleira Cristina, que relembrou as dificuldades que as convocadas tiveram durante as fases de treinamentos. A última em Medianeira, de onde foram para a cidade sede do Pan.
Segundo Soraya, o time do Grêmio/Ametur foi a base da seleção no Pan-Americano. ‘‘Eu, a Cristina e a Alitéia fomos titulares, enquanto que o Mauá, campeão brasileiro cedeu duas e outras duas eram do Novidade (Minas) e uma de São Paulo. Isso mostra a força que o Grêmio/Ametur tem no handebol brasileiro, além de ser vice-campeão nacional’’, contou, com alegria. Soraya é a mais experiente jogadora do Grêmio. Ela, nos seus 22 anos de handebol, conquistou todos os títulos possíveis. Faltava apenas o Pan-Am. Ela ganhou 17 títulos no Paraná, 16 brasileiros e oito sul-americanos, além de vários títulos dos Jogos Abertos do Paraná. Alitéia e Cristina, que este ano jogam pela primeira vez como adultas, têm os mesmos títulos: quatro paranaenses, quatro Jogos Abertos e um vice-campeonato brasileiro, em pouco mais de cinco anos.
Apesar de tudo isso, as jogadoras estão preocupadas com o futuro. Soraya conta que as três receberam propostas para ir embora, mas a idéia é continuar em Londrina. ‘‘As coisas terão que mudar um pouco, porque há quatro meses que não recebemos e não sabemos se vamos continuar no Grêmio, por falta de patrocínio. Vamos disputar a Taça Brasil em junho e em agosto começa a Liga Nacional. Nas duas competições estarão apenas as oito melhores equipes brasileiras. Continuamos esperando uma definição da Ametur para depois responder às propostas que recebemos’’, finalizou Soraya, mostrando descontentamento com a atual situação.

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