Três anos e 4 títulos depois, o técnico Scolari deixa Palmeiras
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segunda-feira, 03 de julho de 2000
Agência Estado De São Paulo 
A era Luiz Felipe Scolari no Palmeiras chegou, ontem, ao fim. Depois de 3 anos e 1 mês, 254 jogos com 128 vitórias, 63 empates e 63 derrotas , 9 finais disputadas e 4 títulos conquistados, o treinador entregou o cargo pela manhã na Academia. O técnico afirmou que não havia mais condição emocional para continuar no clube. Considerou a perda do bicampeonato da Taça Libertadores da América o fator que determinou a saída.
Já havia extraído tudo do elenco, não tinha mais motivação para falar de sonho e futuro da equipe, reconheceu o treinador, que ainda tinha contrato até o fim do ano. Chegamos no limite naquele ponto em que as coisas batem e voltam.
Ao fazer o balanço do tempo que viveu no Palmeiras, Scolari ressaltou que o resultado foi positivo, com as conquistas da Copa do Brasil e Copa Mercosul, ambas em 1998. No ano seguinte, ganhou a Libertadores e, neste início de temporada, foi campeão do Torneio Rio-São Paulo.
Ele perdeu as seguintes decisões: em 1997, o Brasileiro; em 99, o Paulista, a Mercosul e o Mundial Interclubes; e, neste ano, o Paulista, a Copa do Brasil e a Libertadores. O Palmeiras, hoje, é o meu segundo time, disse Scolari, que nunca escondeu torcer pelo Grêmio.
Scolari confessou que sua maior frustração nestes três anos de Palmeiras foi a perda do bicampeonato da Libertadores. A derrota para o Boca Juniors na final foi, segundo ele, sua maior tristeza no período que ficou à frente do clube. Jogamos em casa e perdemos. Fiquei devendo essa para a torcida, disse o treinador, colocando a perda do título mundial em Tóquio para o Manchester, em 1999, numa escala menor de importância.
O treinador pouco quis falar sobre o seu futuro. Comentou que a prioridade no momento é conversar com seus familiares para tomar alguma decisão. Tenho propostas, com valores certos, mas agora vou viajar. Tenham certeza que o aspecto financeiro não será o mais importante na hora de definir meu próximo clube, já que não vou levar dinheiro para o caixão quando morrer.
O Barcelona pode ser realmente o destino do treinador. O clube catalão está vivendo uma fase pré-eleitoral, e Scolari confirmou já ter recebido sondagens de uma das chapas concorrentes. O sonho de trabalhar na Europa continua vivo. Só que na Espanha existem grandes profissionais, diz ele.
Com relação ao interesse do Vasco, o treinador desmentiu as declarações do vice-presidente de futebol do clube, Eurico Miranda, que garante o técnico no clube carioca. Já disse que vou estudar. Talvez a decisão chegue em 7 dias, talvez 10, 30 ou 50 dias.
Antes de deixar a Academia de Futebol, local de treinamento dos jogadores do Palmeiras, por volta das 11 horas, Luiz Felipe Scolari ainda deixou uma mensagem de alento para a torcida. O futuro do clube é promissor. Tudo que fizemos resultou na chegada às finais do Rio-São Paulo e da Libertadores da América. O grupo deverá ser renovado e nada melhor de que isto aconteça começando pelo treinador.
O Palmeiras ainda não definiu o substituto. Flávio Teixeira, de 49 anos, antes auxilar, ficará interinamente no cargo. Ele admitiu que pode ser efetivado como técnico. Tudo depende dos resultados, disse. Flávio era o consultor de Scolari. Eles trabalham juntos há 17 anos. Nossa maneira de armar o time é parecida, diz Flávio, que admitiu ter um comportamento diferente do de Scolari. Eu sou mais calmo.
A diretoria acha difícil encontrar um treinador com o estilo de Scolari. Há, no clube, um grupo de dirigentes que defende a contratação de Carlos Alberto Parreira. Oswaldo de Oliveira é outro nome forte.


