A ‘‘era Luiz Felipe Scolari’’ no Palmeiras chegou, ontem, ao fim. Depois de 3 anos e 1 mês, 254 jogos – com 128 vitórias, 63 empates e 63 derrotas –, 9 finais disputadas e 4 títulos conquistados, o treinador entregou o cargo pela manhã na Academia. O técnico afirmou que não havia mais condição emocional para continuar no clube. Considerou a perda do bicampeonato da Taça Libertadores da América o fator que determinou a saída.
‘‘Já havia extraído tudo do elenco, não tinha mais motivação para falar de sonho e futuro da equipe’’, reconheceu o treinador, que ainda tinha contrato até o fim do ano. ‘‘Chegamos no limite naquele ponto em que as coisas batem e voltam.’’
Ao fazer o balanço do tempo que viveu no Palmeiras, Scolari ressaltou que o resultado foi positivo, com as conquistas da Copa do Brasil e Copa Mercosul, ambas em 1998. No ano seguinte, ganhou a Libertadores e, neste início de temporada, foi campeão do Torneio Rio-São Paulo.
Ele perdeu as seguintes decisões: em 1997, o Brasileiro; em 99, o Paulista, a Mercosul e o Mundial Interclubes; e, neste ano, o Paulista, a Copa do Brasil e a Libertadores. ‘‘O Palmeiras, hoje, é o meu segundo time’’, disse Scolari, que nunca escondeu torcer pelo Grêmio.
Scolari confessou que sua maior frustração nestes três anos de Palmeiras foi a perda do bicampeonato da Libertadores. A derrota para o Boca Juniors na final foi, segundo ele, sua maior tristeza no período que ficou à frente do clube. ‘‘Jogamos em casa e perdemos. Fiquei devendo essa para a torcida’’, disse o treinador, colocando a perda do título mundial em Tóquio para o Manchester, em 1999, numa escala menor de importância.
O treinador pouco quis falar sobre o seu futuro. Comentou que a prioridade no momento é conversar com seus familiares para tomar alguma decisão. ‘‘Tenho propostas, com valores certos, mas agora vou viajar. Tenham certeza que o aspecto financeiro não será o mais importante na hora de definir meu próximo clube, já que não vou levar dinheiro para o caixão quando morrer.’’
O Barcelona pode ser realmente o destino do treinador. O clube catalão está vivendo uma fase pré-eleitoral, e Scolari confirmou já ter recebido sondagens de uma das chapas concorrentes. ‘‘O sonho de trabalhar na Europa continua vivo. Só que na Espanha existem grandes profissionais’’, diz ele.
Com relação ao interesse do Vasco, o treinador desmentiu as declarações do vice-presidente de futebol do clube, Eurico Miranda, que garante o técnico no clube carioca. ‘‘Já disse que vou estudar. Talvez a decisão chegue em 7 dias, talvez 10, 30 ou 50 dias.’’
Antes de deixar a Academia de Futebol, local de treinamento dos jogadores do Palmeiras, por volta das 11 horas, Luiz Felipe Scolari ainda deixou uma mensagem de alento para a torcida. ‘‘O futuro do clube é promissor. Tudo que fizemos resultou na chegada às finais do Rio-São Paulo e da Libertadores da América. O grupo deverá ser renovado e nada melhor de que isto aconteça começando pelo treinador.’’
O Palmeiras ainda não definiu o substituto. Flávio Teixeira, de 49 anos, antes auxilar, ficará interinamente no cargo. Ele admitiu que pode ser efetivado como técnico. ‘‘Tudo depende dos resultados’’, disse. Flávio era o consultor de Scolari. Eles trabalham juntos há 17 anos. ‘‘Nossa maneira de armar o time é parecida’’, diz Flávio, que admitiu ter um comportamento diferente do de Scolari. ‘‘Eu sou mais calmo.’’
A diretoria acha difícil encontrar um treinador com o estilo de Scolari. Há, no clube, um grupo de dirigentes que defende a contratação de Carlos Alberto Parreira. Oswaldo de Oliveira é outro nome forte.

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