São Paulo - Há muitos anos a Fórmula 1 não assistia a uma verdadeira ''avant-première'' do início da temporada como na sessão de quatro dias de treinos que começa hoje no circuito Ricardo Tormo, em Valência, Espanha.
Praticamente todas as equipes que irão disputar o Mundial se apresentarão com seus carros novos e pilotos titulares. Até a Ferrari, que não expunha seus novos modelos ao confronto com os adversários antes da primeira etapa do campeonato, já confirmou presença. E com uma superatração extra: Valentino Rossi, o pentacampeão do mundo na MotoGP, fará seu primeiro teste público.
Em nenhum dos cinco títulos seguidos de Michael Schumacher com a Ferrari, de 2000 a 2004, o time italiano realizou treinos conjuntos com as demais escuderias antes de a temporada iniciar. Agora, depois do Mundial difícil do ano passado, o próprio Schumacher fez questão de mudar a rotina de trabalho da Ferrari a fim de saber o quanto o modelo 248 F1 avançou em relação a seus concorrentes.
Quinta-feira, em Barcelona, o alemão fez o primeiro teste do novo carro no mesmo circuito de seus adversários. Estabeleceu 1min16s907, na melhor das 78 voltas completadas, enquanto Rubens Barrichello, com o novo Honda RA 106, obteve 1min16s361 (66 voltas), o mais rápido dentre os pilotos com modelos 2006. Rubinho, com o novo Honda, e Felipe Massa, a nova Ferrari, manifestaram, em Barcelona, ansiedade com o trabalho que os aguarda a partir de hoje.
O ensaio de Valência poderá comprovar ou desmistificar o que a pré-temporada tem evidenciado até o momento, como a eficiência do R26 da Renault. O campeão do mundo, Fernando Alonso, e Giancarlo Fisichella o experimentarão. Schumacher já o considera ''impressionante'', pela ''velocidade, regularidade e resistência.'' No treino de Barcelona, também na quinta-feira, Fisichella marcou 1min16s365 (68), logo atrás de Rubinho. Mas se a Renault parece confirmar este ano a excelente forma de 2005, quando foi campeã mundial com Alonso e por equipes, a McLaren-Mercedes, segunda colocada no campeonato passado, está em pé de guerra.
Kimi Raikkonen, vice-campeão, não poupou críticas à Mercedes depois dos testes de Barcelona, semana passada: ''Nosso problema é o motor. Estamos atrasados em relação a nossos adversários.'' O V-8 alemão não tem a mesma potência do Renault, Honda, Ferrari, BMW e Toyota e tampouco demonstrou ser confiável.

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