Treinadores orientarão árbitros no Rio
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sexta-feira, 09 de janeiro de 2009
André Zahar e Cirilo Junior<BR> Folhapress 
Rio - O Campeonato Estadual do Rio vai lançar uma nova, e polêmica, figura à beira do campo: o técnico de arbitragem. Espécie de treinador de juízes e auxiliares, terá a missão de orientar o trio, antes e no intervalo das partidas, sobre aspectos técnicos, disciplinares e, principalmente, de posicionamento.
Como faz hoje o observador de arbitragem, o técnico também vai elaborar após os jogos um relatório sobre a atuação dos três profissionais.
Ex-árbitro da Fifa, o presidente da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf), Jorge Paulo de Oliveira Gomes, considera a figura do técnico uma inovação perigosa. Para ele, juízes e auxiliares sofrerão pressão ainda maior e ficarão mais expostos do que já estão.
Cada árbitro tem uma característica própria. Se sofre influência de fatores externos, pode perder a concentração e passar a se preocupar com aquilo que está sendo detectado pelo técnico como uma possível deficiência, diz Gomes.
A novidade é tratada como um projeto-piloto pelo presidente da comissão de arbitragem da federação do Rio, Jorge Rabello. Além dele, quatro ex-árbitros José Carlos Santiago, Sérgio Cristiano do Nascimento, Sérgio de Oliveira Santos e João José Loureiro foram escolhidos para a função. Eles estarão em quatro dos oito jogos de cada rodada em substituição aos observadores.
Rabello ressalta que o técnico de arbitragem poderia dinamizar o trabalho hoje realizado pelo observador. Em vez de aguardar o relatório para corrigir as falhas apontadas, o trio poderia fazer os ajustes durante o jogo. Para o idealizador da proposta, a intenção não é sobrepor o técnico aos árbitros.
O técnico não estará à beira do campo para questionar se um lance foi o pênalti ou não. Isso é interpretação de quem está apitando. Mas se ele for questionado sobre um lance duvidoso, terá obrigação de dizer à imprensa se o árbitro estava posicionado da maneira adequada, explica.
Os técnicos de arbitragem vão receber a mesma taxa do observador, que no Rio é de R$ 500 por partida. Ao final do campeonato, a federação pretende fazer um balanço do trabalho com questionários preenchidos pelos juízes e avaliações de treinadores e jogadores. O estudo será enviado à CBF e, depois, à Fifa.
O campeonato começa no próximo dia 24, com o Vasco enfrentando o Americano, em São Januário. Rebaixada para a segunda divisão do campeonato brasileiro, a equipe cruzmaltina aposta no estadual para iniciar sua reabilitação depois de um catastrófico 2008. Assim como o Botafogo, apostou em jogadores desconhecidos para tentar quebrar um jejum de cinco anos sem conquistas.
A grande rivalidade deverá ficar entre Flamengo e Fluminense, que possuem os times teoricamente mais fortes. Os clubes lutam pela hegemonia no Estado, já que cada equipe tem 30 títulos. O Flamengo, que tenta o quinto tricampeonato da história, aposta na base de 2008 e terá praticamente o mesmo time. O Fluminense fez diversas contratações, apesar de ter perdidos jogadores importantes, como Washington e o meio-campo Arouca.


