Treinadores apontam as falhas da seleção
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de agosto de 1998
Agência Estado 
O 10º lugar obtido pela seleção brasileira masculina de basquete no Mundial da Grécia, encerrado domingo, preocupa técnicos em atividade no Brasil. Faltou identidade à seleção, diz Cláudio Mortari, treinador do time de Barueri. Ficamos para trás, comenta Guerrinha, que atribui o resultado a falhas estruturais do basquete brasileiro, que não se desenvolveu na mesma velocidade de países como Grécia e Argentina.
Nossa característica sempre foi dar ênfase ao ataque e o time atual passou por uma mudança muito brusca, diz Mortari, sobre a opção do técnico da seleção, Hélio Rubens, de valorizar a defesa. O perigo não é mudar, mas tentar adaptar o time à escola de outro país, prossegue o treinador, que achou a seleção ausente em vários jogos do Mundial.
Para Guerrinha, o resultado na Grécia é o principal reflexo dos anos em que o basquete nacional não deu atenção às categorias de base. Não adianta trocar técnico ou jogador, mas sim fazer um trabalho de longo prazo nos clubes para revelar atletas. Segundo ele, os atuais dirigentes da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) e federações estaduais estão fazendo mudanças.
O treinador não acredita que o Brasil consiga uma das duas vagas em disputa no Pré-Olímpico para os jogos de Sydney. Acho que podemos ter esperanças para 2004, com a geração que conquistou recentemente uma vaga para o Mundial Juvenil.
Guerrinha também critica a manutenção dos times. Não é bom que os patrocinadores formem equipes apenas para conquistar um campeonato, sem manter categorias de base, e dissolvam o grupo no fim da temporada, diz. Os dirigentes podem criar regras e um departamento que faça com que os patrocinadores tenham vantagens, mas também compromissos com um trabalho a médio prazo e a formação de atletas.
O técnico do Pinheiros, Marcel, não acha a situação da seleção tão grave. A comissão técnica deve fazer uma reunião para avaliar os problemas que teve no Mundial, comenta o treinador, que atribui o resultado do Brasil a falhas em detalhes.


