A tensão pós-duas derrotas consecutivas no curto período de quatro dias produziu declarações quentes na segunda-feira do clube. Insatisfeito com o comportamento do time na derrota para o Grêmio, domingo, o presidente Carlos Alberto Garcia acusou os mais experientes de ''desfilar'' dentro de campo. E mais: prometeu afastar quem não incorporar a filosofia aguerrida que a diretoria exige de seus comandados. ''Tinha jogador que parecia desfilar em campo. A gente quer jogador que peita, tromba e enfrenta o adversário. O Bolão, nosso atacante, tomou um soco na cara e ninguém foi lá peitar o cara, intimidar o adversário'', exemplificou.
Segundo Garcia, a responsabilidade recai primeiro em cima do grupo considerado veterano no clube, entre eles Rocha, Paraguaio, Marcelo e Nem (que voltou ao time neste ano). ''Senti uma atitude omissa de alguns jogadores, pouca vontade e disposição. Isso é um aviso para os jogadores veteranos, quem não demonstrar garra e amor em vestir a camisa do Londrina vai ser afastado. Vamos pagar direitinho, cumprir o contrato, mas não vai treinar mais com o grupo'', polemizou o presidente, que assumiu a diretoria-executiva neste ano.
Por outro lado, os jogadores rechaçam a tese do ''corpo-mole''. Eles admitem que o time pode render bem mais três pontos em quatro jogos e saldo negativo de quatro gols , mas defendem que a carga de responsabilidade deve ser dividida. ''É claro que a gente vai ser cobrado primeiro, mas todo mundo é responsável, e acho que agora é hora de todo mundo de unir para reverter esta situação'', desabafou o apoiador Rocha, que está no Tubarão desde 2002. ''O presidente tem o direito de falar o que pensa, mas ele está enganado se diz que está faltando empenho. Quem mais sofre com esta situação somos nós, jogadores, não é a torcida nem o Garcia. É vergonhoso num lugar público a gente ficar ouvindo besteiras'', disse o jogador, que teve de ouvir calado a palavras hostis de banhistas, que passavam a tarde em um termas da cidade, onde o time fazia sessões de hidromassagem.
Garcia desmentiu também os rumores de uma possível demissão do técnico Lívio Vieira, que continua no cargo no Campeonato Paranaense e na Copa do Brasil, cuja estréia está marcada para amanhã, às 20h30, contra o América, na Baixada Fluminense. ''O Lívio está mantido no cargo. Se tiver que mexer nele, mais gente vai ter que sair também'', desabafou o presidente. Lívio comandará o coletivo-apronto hoje à tarde, com local ainda a ser definido.

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