Melhor campanha e um dos três times invictos da Divisão de Acesso do Campeonato Paranaense. Nada disso, porém, foi suficiente para manter a tranquilidade no Cambé Atlético Clube (CAC) e o técnico Roberto Palmieri no cargo. Ele foi demitido ontem à tarde do comando do CAC. Junto com ele, sai também o presidente Luís Fernando Nogueira.
Os dois vinham se desentendendo já há um bom tempo. Sem papas na língua, o treinador reclamou publicamente dos problemas financeiros e estruturais do clube por diversas vezes, o que não agradou o cartola. A gota d'água foi uma entrevista concedida pelo técnico no domingo. Em uma reunião após a partida, os dois teriam discutido rispidamente e quase se agrediram.
Ambos confirmam que não se entendiam mais. ''Estou aqui há quatro meses, fazendo o trabalho de técnico, gerente e supervisor. Tomei a frente porque eles (diretoria) não são do ramo. Além disso, tinha muitos problemas para administrar'', revelou Palmieri.
Após ser demitido, o treinador novamente não poupou críticas ao cartola. ''Meu primeiro problema foi quando fomos despejados do hotel em que estávamos hospedados por falta de pagamento. Os 30 jogadores foram morar em dois apartamentos. Treinávamos no campo do Castelo Branco, mas o vestiário era muito pequeno e acabava atrasando os treinos. Cancelei treinamentos por falta de material porque a lavanderia não havia sido paga. Sem contar as brigas de jogadores com o Fernando (presidente), que quase chegavam às vias de fato'', acusou.
Nogueira disse que as acusações se tratavam de ''inverdades''. ''Ele (Palmieri) está falando bobagens porque está magoado'', afirmou.
Palmieri ressaltou o trabalho feito à frente do clube mesmo diante da crise financeira. ''Eu mostrava para ele que não é assim que se faz futebol. Conseguimos formar um grupo vencedor, com homens que aceitaram o desafio de pôr o CAC na Primeira Divisão e estão se superando. Espero que esses fatos não desestabilizem o grupo'', disse o treinador.
Uma fonte de dentro do clube disse que não havia mais clima para a permanência de nenhum dos dois e que ficou acordado que tanto Palmieri como Nogueira deixariam seus cargos. Desta forma, o empresário Marcelo Caldarelli, ex-presidente do Londrina, será o novo manda-chuva do CAC. Ele comprou 60% das ações do clube. Nogueira e o médico Antonio de Freitas ficam com 20% cada um.
Caldarelli pagou 30% da folha de pagamentos que estava atrasada e 50% da atual, quitou as dívidas com fornecedores de alimentos e ainda deu uma quantia em dinheiro.
Nogueira deu outra versão. ''Não tinhamos mais ambiente para trabalharmos juntos. Saí da presidência porque o CAC precisava de investimentos para continuar seu percurso, de ser a quarta força do Estado em quatro anos'', justificou o ex-presidente. Ele acredita que a modificação não atrapalhará o time na sequência da Segundona.

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