Treinador diz que Brasil
tem obrigação de vencer
Agência Estado
Em St-Rémy-de-Provence, um largo sorriso foi a reação do técnico da Escócia, Craig Brown, sobre a informação de que o treinador da Seleção Brasileira não tem detalhes de seu time. ‘‘Não acredito que o Zagallo não saiba nada sobre nós’’, disse. ‘‘Mesmo sendo o técnico do melhor time do mundo, ele não arriscaria estrear em uma Copa do Mundo no escuro.’’ Para Brown, sua equipe foi espionada por representantes do treinador brasileiro, da mesma forma que ele acompanhou os amistosos do Brasil neste ano. ‘‘Sempre se descobre alguma coisa ao se observar o adversário.’’
Por causa disso, Craig Brown tem comandado treinos fechados, em que pretende aprimorar jogadas. Anteontem, fez com que os jogadores de ataque enfrentassem os da defesa e, ontem, treinou cobranças de falta.
O técnico escocês garante que seu time não vai jogar no tradicional esquema de buscar o gol apenas no contra-ataque. ‘‘Estamos aumentando as opções ofensivas, o que vem melhorando nosso estilo de jogar’’, afirmou Brown. Dentro de campo, porém, o esquema privilegia a defesa: um líbero, três zagueiros e três meio-campistas que cuidam da marcação.
Acostumado a jogar sozinho na frente, Gordon Durie não se sente obrigado a marcar gols. ‘‘Não temos nenhuma responsabilidade na abertura da Copa’’, comenta. ‘‘Quem tem obrigação são os campeões do mundo.’’
A expectativa é grande também para o treinador escocês. ‘‘Certamente será a partida mais importante da minha carreira’’, garantiu Brown, que já participou como auxiliar-técnico da Escócia nas Copas do México (1986) e Itália (1990), além de dirigir o time em dois campeonatos europeus. ‘‘As chances de o Brasil vencer são de 99%’’, exagera. ‘‘Mas, teremos a possibilidade de mostrar nossa evolução no futebol.’’
A Escócia nunca conseguiu passar para a segunda fase de uma Copa, o que se transformou em obsessão para os jogadores. ‘‘Por isso, consideramos como jogo decisivo o que disputaremos contra a Noruega’’, disse o atacante Simon Donnelly, de 23 anos, o mais jovem de um grupo em que predominam jogadores com mais de 30. ‘‘Como o resultado contra o Brasil é uma incógnita, temos de definir a classificação contra os noruegueses.’’
A ambição é também do treinador, que não revela tanto temor do time que venceu o Brasil, no ano passado, durante o Torneio da França. ‘‘A Noruega é time bom para vencer amistosos. Nas competições oficiais, seu comportamento é diferente.’’

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